Amazonas
cerca 1 Bélgica para conter desmatamento
Estado estabelece 9 áreas protegidas em uma área
de 3,1 milhões de ha
O
governo do Amazonas cria hoje um conjunto de unidades
de conservação no sudeste do Estado de 3,1
milhões de hectares. Composto de nove reservas
contínuas, o chamado mosaico do Apuí é
a segunda maior área contínua protegida
do país, perdendo apenas para o Parque Nacional
Montanhas de Tumucumaque, no Amapá (3,9 milhão
de hectares).
O mosaico, do tamanho da Bélgica, está entre
os municípios de Apuí e Manicoré,
na divisa com Mato Grosso e Pará. "É
uma das zonas mais estratégicas do ponto de vista
da fronteira agrícola", afirmou o secretário
de Desenvolvimento Sustentável do Amazonas, Virgílio
Viana.
A idéia do governo foi estabelecer proteção
oficial para conter o avanço da grilagem e do desmatamento
no local, rico em madeira e minérios e que já
sofre pressão potencial humana (estradas clandestinas
e queimadas) em 30% da sua extensão, segundo um
estudo do Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da
Amazônia) que serviu como base para a criação
do mosaico.
A região do Apuí, que também sedia
o maior assentamento para reforma agrária do país,
já era considerada para a criação
de um parque nacional desde o governo FHC. "Mas vimos
que a situação lá era muito mais
complexa", diz Viana. Segundo o secretário,
cerca de mil famílias habitam o local, e a criação
de uma unidade de proteção integral traria
"problemas de governança".
O Estado, então, resolveu adotar o que Viana chama
de "maneira mais refinada" de estabelecer áreas
de proteção: juntar, num território
contínuo, reservas integrais (os parques de Sucunduri
e Guariba, que somam 1,127 milhão de hectares),
uma reserva extrativista a ser explorada pela população
ribeirinha (a do Guariba, com 180 mil ha), duas reservas
de desenvolvimento sustentável (Barati e Aripuanã,
que somam 413 mil ha) e quatro Florestas Estaduais (Apuí,
Sucundri, Manicoré e Aripuanã, que somam
1,345 milhão de ha). Nas Florestas Estaduais será
permitida a exploração de baixo impacto
de madeira e também de minérios.
Segundo a ONG Conservação Internacional,
que ajudou a financiar a implementação do
mosaico juntamente com o WWF, o governo federal e a Fundação
Moore, estima-se que haja pelo menos 500 espécies
de ave e 14 de primata na área a ser protegida.
Um estudo do Imazon divulgado pela Folha em novembro indica
que 48% das áreas prioritárias para a conservação
mas sem proteção oficial já sofrem
ocupação.
FONTE: http://www.ana.gov.br/SalaImprensa/noticias/17122004/9.htm