ONG
elabora uma série de programas sobre os benefícios
dos acordos de pesca, para difundir a prática entre
moradores da várzea amazônica.
MARÍLIA
JUSTE
da PrimaPagina
Depois da pior seca dos últimos 40 anos, a chuva
voltou a cair na Amazônia. E em uma época
providencial: de novembro a março do próximo
ano é época de piracema, de desova dos peixes.
Nesse período de procriação das espécies,
a pesca é proibida. Com as redes postas de lado,
o momento é propício para informar os pescadores
e conversar com eles. Apostando nisso, um programa de
rádio começa a ser veiculado entre as comunidades
de várzea amazônica, para aumentar o conhecimento
dos pescadores sobre os acordos de pesca.
Os acordos de pesca, geralmente firmados entre o IBAMA
ou organizações não-governamentais
e pescadores, estabelecem regras e limites para o uso
sustentável dos recursos pesqueiros. Pactos desse
tipo encerraram muitos dos conflitos que existiam em torno
dos rios amazônicos. “No início, muitos desses
acordos foram impostos na ponta da peixeira, à
força mesmo. Depois, com o passar dos anos, a coisa
passou a ser mais discutida e implementada através
de consensos", conta o técnico do Programa
Amazônia do WWF (Fundo Mundial para a Natureza)
Brasil, Antônio Oviedo. A partir de 2003, o IBAMA
(Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos
Naturais Renováveis) passou a regular esses acordos
de pesca e a torná-los lei.
Para melhor informar a população sobre os
acordos, o WWF-Brasil criou uma série de cartilhas
sobre o assunto. Basicamente, elas respondem o que são
os acordos de pesca, como são montados e como devem
ser monitorados. Agora, a organização resumiu
o conteúdo dessas publicações em
uma série de programas de rádio, para ampliar
a divulgação.
“Nosso objetivo é informar às comunidades
que ainda não têm acordos de pesca sobre
seus benefícios e também ensiná-las
a criar algo do tipo em seus grupos”, afirma Oviedo. “Ao
mesmo tempo, pretendemos também prestar apoio àquelas
comunidades que já têm seus acordos formados,
para que elas saibam como monitorar o cumprimento das
regras e denunciar abusos”.
O projeto da WWF-Brasil envolve a transmissão de
três programas, cada um com 15 minutos de duração.
A jornalista Mara Régia, que apresenta o programa
radiofônico Natureza Viva, da WWF, na Amazônia,
viajou por diversas comunidades ribeirinhas e entrevistou
os pescadores. Participando das oficinas, ela mostrou
como os acordos de pesca são montados e discutidos.
E colheu também os depoimentos dos moradores sobre
os benefícios e as dificuldades encontrados.
Trabalho pronto, a WWF envia agora um kit para 250 emissoras
de rádio, a maioria delas comunitárias,
com os programas, as cartilhas e mais dois spots (pequenas
inserções de áudio) de 30 segundos
sobre a piracema. Não há cobrança
pela transmissão do conteúdo e a entidade
espera que a maioria das comunidades de várzea
seja alcançada pelas informações
vindas pelas ondas de rádio AM.
A várzea é uma das duas áreas prioritárias
na Amazônia para o WWF-Brasil, ao lado do sudoeste
do Estado do Amazonas. Para a execução dos
programas de rádio, a organização
contou com o apoio do PROVÁRZEA/IBAMA (Programa
de Apoio ao Manejo dos Recursos Naturais da Várzea),
um projeto que a participação do PNUD.
Fonte:
http://www.pnud.org.br/meio_ambiente/reportagens/index.php?id01=1668&lay=mam