Unidades de Conservação protegem os dois hotspots brasileiros: Cerrado e Mata Atlântica


A Mata Atlântica e o Cerrado, dois dos mais importantes patrimônios naturais do Brasil compõem a lista dos 34 hotspots existentes na Terra. Eles constavam da primeira versão do estudo sobre o tema e foram mantidos na revisão do documento publicada no início do mês de fevereiro pela Conservação Internacional (CI). A permanência dos dois biomas brasileiros entre os hotspots indica que eles têm pelo menos 1.500 espécies de plantas endêmicas - que só existem aqui e em nenhuma outra parte - e já perderam mais da metade de sua vegetação original. Por isso, são áreas que devem contar com o máximo de proteção por meio das iniciativas governamentais e particulares. Os níveis de endemismo e o grau de ameaça às espécies e às regiões naturais estão presentes no conceito de hotspot.

No Brasil, a proteção de áreas representativas da biodiversidade nos seus hotspots é feita principalmente por meio da criação de Unidades de Conservação (UC), que são lugares de importância estratégica para a manutenção da vida e dos processos biológicos. Na Mata Atlântica, existem atualmente 84 UCs federais, mantidas pelo Ibama. No Cerrado, são 42 unidades.

Juntas, as Unidades de Conservação federais nos dois biomas somam cerca de 8 milhões de hectares. O território protegido inclui Parques Nacionais, Áreas de Proteção Ambiental, Reservas Biológicas, Reservas Extrativistas, Florestas Nacionais, Áreas de Relevante Interesse Ecológico, dentre outras categorias de unidades destinadas à conservação ambiental.

Nesse contexto, têm grande importância para a conservação as Reservas Particulares do Patrimônio Natural - RPPNs - federais, cujo título é concedido a particulares por intermédio do Ibama. No Cerrado, existem atualmente 107 reservas particulares, que correspondem a cerca de 62 mil hectares de áreas protegidas por iniciativa privada. Na Mata Atlântica já foram criadas 180 RPPNs. É o bioma brasileiro com o maior número de reservas do gênero que equivalem a cerca de 53 mil hectares de floresta preservados.

"Nos próximos anos, o Ibama pretende ampliar algumas das unidades de conservação e criar outras nas regiões de Mata Atlântica e de Cerrado", disse Cecília Ferraz, diretora de Ecossistemas do instituto. Segundo ela, os estudos preliminares apontam para a necessidade de se proteger maiores extensões de áreas naturais no Nordeste, no Sul e no Centro-Oeste do país. "Existem remanescentes de florestas com araucárias, trechos de Mata Atlântica no Nordeste e importantes áreas ainda selvagens no Cerrado que precisam ser resguardadas como reserva de biodiversidade", afirmou Cecília Ferraz.

Pronto-socorros da biodiversidade
"Os hotspots são como pronto-socorros da biodiversidade", diz Russell Mittermeier, presidente da Conservação Internacional e co-autor da publicação sobre os hotspots. "A ampliação e atualização do estudo mostram que nossos investimentos em conservação em uma pequena área do planeta podem garantir uma significativa parcela da biodiversidade. Mas, nós temos que agir logo para evitar a perda desses insubstituíveis armazéns de vida na Terra."

O livro Hotspots Revisited (Hotspots Revisitados) contém uma análise detalhada das 34 regiões, com dados sobre a diversidade dos grupos de flora e fauna, as espécies-bandeira, as ameaças e ações de conservação em andamento. Durante quatro anos, 400 especialistas trabalharam para reavaliar os hotspots. A nova análise teve a colaboração diversos países e organizações e revela um aumento considerável do conhecimento científico sobre as espécies e seus hábitats.

Os novos hotspots
As novas áreas incluídas no estudo sobre os hotspots são as Ilhas da Melanésia Oriental; a Floresta de Pinho-Encino de Sierra Madre (no México e EUA), o Japão, o Chifre da África, a Região Irano-Anatólica, as Montanhas da Ásia Central, a Maputaland-Pondoland-Albany (na África do Sul, Swazilândia, Moçambique), as regiõesdo Himalaia e as Florestas de Afromontane (na África Oriental).

Desta vez, os cientistas estudaram mais do que as espécies. Eles também identificaram gêneros e famílias que são específicos aos hotspots e concluíram que eles detêm uma história evolutiva bastante singular. O hotspot de Madagascar e Ilhas do Oceano Índico, por exemplo, tem 24 famílias de plantas e vertebrados que não são encontradas em nenhuma outra parte do mundo. "Sabemos que ao conservar os hotspots, nós não estamos apenas protegendo espécies, mas também garantimos a conservação de singulares linhagens da história natural,"disse Mittermeier.

As principais ameaças aos hotspots incluem destruição de hábitat; introdução de espécies exóticas; exploração descontrolada de espécies para produção de alimento e remédios; tráfico de animais; e mudanças climáticas. Essas também são as principais causas da degradação das nove áreas incluídas na nova edição do estudo.

Jaime Gesisky
Foto: Ricardo Maia
Ibama


FONTE: http://www.ibama.gov.br/novo_ibama/paginas/materia.php?id_arq=2443


<< Voltar às Notícias


Sugestões e comentários sobre este portal: rosmari@floraefauna.com
Copyright © 2004 - 2007 - Flora e Fauna. Todos os direitos reservados.