Gisele
Teixeira
O Tribunal Regional Federal da 4ª Região derrubou
nesta segunda-feira (20) liminar que impedia a criação
de três Unidades de Conservação (UCs)
no Paraná. Com a decisão, o Ministério
do Meio Ambiente (MMA) poderá dar andamento na
implementação do Parque Nacional dos Campos
Gerais, Reserva Biológica das Araucárias
e Refúgio de Vida Silvestre do Rio Tibagi, todas
no Paraná. Não é mais possível
recorrer da decisão. As UCs fazem parte de um conjunto
de oito áreas protegidas propostas pelo MMA para
proteção dos remanescentes da Floresta Ombrófila
Mista (nome técnico das matas com araucárias)
na região do Campos Gerais.
A liminar havia sido impetrada por produtores rurais e
madeireiros, que protestaram contra a criação
dessas áreas protegidas, alegando que o processo
prejudicaria áreas de produção e
famílias da região. O governo federal havia
conseguido anteriormente ação favorável
na Justiça para criação de duas áreas
no Paraná - Reserva Biológica das Perobas
e Refúgio da Vida Silvestre dos Campos de Palmas.
Outras três áreas - que não passaram
por disputa judicial - estão localizadas em Santa
Catarina e completam a região que será protegida:
Estação Ecológica da Mata Preta,
Parque Nacional das Araucárias, criados em outubro
de 2005, e a Área de Proteção Ambiental
das Araucárias. No total, serão mais 540
mil hectares de UCs, envolvendo 21 municípios nos
dois estados, que darão novo fôlego para
preservação do chamado pinheiro brasileiro.
A notícia chega em boa hora, às vésperas
da 8ª Reunião das Partes da Convenção
sobre Diversidade Biológica (COP-8) que será
realizada em março, em Curitiba. Naquele Estado,
a floresta de araucárias, um dia formada por 73
mil quilômetros quadrados de mata, hoje está
reduzida a 0,8%.
Os locais para as unidades de conservação
foram definidos com base nas portarias 507 e 508 do Ministério
do Meio Ambiente, de dezembro de 2002, e a partir das
pesquisas do Grupo de Trabalho Araucárias Sul,
formado em março de 2003. Participaram dos trabalhos
de campo quarenta técnicos de 16 instituições,
que percorreram mais de 40 mil quilômetros no Paraná
e em Santa Catarina na busca de áreas preservadas
com o pinheiro brasileiro.
Os parques e reservas foram definidos para proteger ao
máximo matas e campos nativos e nascentes que abastecem
rios e populações. A Floresta Ombrófila
Mista faz parte da Mata Atlântica e ocupava cerca
de 200 mil quilômetros quadrados em estados da Região
Sul e Sudeste do País, principalmente em planaltos
e regiões de clima mais frio. Espécies de
árvores como canela-sassafrás, canjerana,
canela-preta, imbuia e xaxim, e de animais como gralha-azul,
lobo-guará, anta, papagaio-do-peito-roxo e onça
pintada encontram abrigo nessas matas. Somente 0,2% da
área original da floresta está protegida
em unidades de conservação federais, estaduais,
municipais e particulares.
Devido à qualidade da madeira da araucária,
leve e sem falhas, a espécie foi muito procurada
por madeireiras a partir do início do Século
XX. Estima-se que, entre 1930 e 1990, cerca de cem milhões
de pinheiros tenham sido derrubados. Entre 1950 e 1960,
foi a principal madeira de exportação do
País. Hoje, a floresta com araucárias está
praticamente extinta, restando menos de 3% de sua área
original em bom estado de conservação.
ASCOM
FONTE:
http://www.mma.gov.br/ascom/ultimas/index.cfm?id=2275