Para
a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, a aprovação
do Projeto de Lei sobre Gestão de Florestas
Públicas (PL 4776/05) será um passo
importante para suprir o mercado com madeira de origem
sustentável e legal e para reduzir a grilagem e
o desmatamento na Amazônia. O texto tramita na Câmara
dos Deputados. Marina Silva participou hoje de audiência
pública conjunta das comissões de Agricultura,
Meio Ambiente e Relações Exteriores do Senado,
onde apresentou ações do governo no combate
ao desmatamento.
O PL 4776/05 prevê a concessão de até
3% da Amazônia, cerca de 13 milhões de hectares
de matas, para manejo sustentável. Também
cria o Serviço Florestal Brasileiro e o Fundo Nacional
de Desenvolvimento Florestal, voltado ao fomento e à
qualificação do setor madeireiro nacional.
"Com a aprovação do PL de Florestas,
não haverá mais espaço para grilagem
de terras", disse a ministra aos senadores.
Outra medida fundamental para a redução
dos índices de desmatamento foi chancelada ontem
pelo Senado. Com 47 votos favoráveis e 1 contrário,
a MP 239 foi aprovada e passará a ter peso de lei
com a sanção do presidente Lula. O texto
define limitações administrativas provisórias
para áreas destinadas à criação
de áreas protegidas. Com a medida, durante sete
meses as florestas não poderão ser derrubadas
em locais onde serão criadas unidades de conservação.
Nesse período, serão realizadas consultas
públicas e todos os debates necessários
para a criação de reservas de proteção
integral ou uso sustentável. "Haverá
tempo para ampliar a participação social
nos debates públicos", ressaltou a ministra.
Marina Silva também lembrou aos parlamentares que
o PL da Mata Atlântica tramita há 13 anos
no Congresso Nacional. O texto aguarda aprovação
pelo Senado.
A MP 239 foi editada pela Presidência da República
para evitar que as áreas destinadas a futuros parques
ou reservas sejam desmatadas antes da sua criação.
A derrubada da floresta costuma se acelerar a partir do
momento em que o governo anuncia a intenção
de proteger esses locais. O assunto vinha sendo discutido
desde a criação do SNUC (Sistema Nacional
de Unidades de Conservação), em 2000.
Durante a audiência, Marina Silva comentou sobre
o desafio de cuidar da área ambiental em um País
extremamente rico em recursos naturais como o Brasil,
que tem "grande responsabilidade pelo equilíbrio
ecológico do Planeta". Segundo ela, para combater
o desmatamento não basta uma política de
ministério, mas, sim, políticas e ações
de governo, dos estados, da comunidade científica,
do setor empresarial e de toda a sociedade. "A opinião
pública internacional também está
atenta ao destino da Amazônia", lembrou.
Para o senador Jefferson Peres (PDT/AM), os últimos
índices de desmatamento na maior floresta tropical
do Planeta, de 26.130 quilômetros quadrados entre
2003-2004, se devem à "cobiça nacional",
ao avanço descontrolado da agropecuária
e do desmatamento. Peres disse que existe uma "paranóia"
sobre os interesses estrangeiros na floresta, mas que
a grande maioria da madeira extraída da Amazônia
é consumida no próprio País. "Ou
o Brasil tem um projeto nacional, com uma política
de estado que ultrapasse vários governos, ou esse
holocausto ecológico continuará".
ASCOM
FONTE:
http://www.mma.gov.br/ascom/ultimas/index.cfm?id=1799