Especialistas
discutem os resultados dos protocolos de Montreal e de
Kyoto
A Secretaria de Estado do Meio Ambiente e a Companhia
de Tecnologia de Saneamento Ambiental - CETESB, em parceria
com a Associação Brasileira de Refrigeração,
Ar Condicionado, Ventilação e Aquecimento
- ABRAVA, realizaram na sexta-feira (16/9), em São
Paulo, o 10° Seminário em Comemoração
ao Dia Internacional da Camada de Ozônio, promovendo
um debate sobre os protocolos de Montreal e de Kyoto.
O
Dia Internacional da Camada de Ozônio, comemorado
em todo o mundo, foi instituído pelo Programa das
Nações Unidas para o Meio Ambiente - PNUMA
para marcar a assinatura do Protocolo de Montreal, que
definiu a lista das substâncias que destróem
a camada de ozônio que protege a Terra dos raios
ultravioletas que, entre outros danos, podem causar câncer
de pele. O Protocolo de Kyoto, por seu lado, visa combater
o efeito estufa que, entre outras conseqüências,
promove o aquecimento global.
Entre
outros convidados presentes à abertura do seminário,
se encontravam Geraldo Siqueira Filho, do Ministério
do Meio Ambiente, Maria da Glória Figueiredo, da
CETESB, Carlos Trombini, presidente da ABRAVA, Paulo Neulander,
do Grupo Ozônio, e Eduardo Macedo Ferraz, do SENAI.
Também
aconteceram, no evento, as apresentações
dos temas “Mercado Atual: Fluídos Refrigerantes
Alternativos”, por Maurício Xavier, da ABRAVA e
Grupo Ozônio; "Créditos de Carbono:
Projetos, Estrutura, Ciclo e Mercado”, por Carlos Martins,
da Ecoinvest Carbon; “Projetos de Créditos de Carbono:
Casos Internacionais de Substituição de
Gases de Refrigeração”, por Victor Pulz
Filho, da MGM International do Brasil; e “Relação
entre Destruição da Camada de Ozônio
e Mudanças Climáticas, Interações
entre os Protocolos de Montreal e Kyoto”, por Luiz Gylvan
Meira Filho, do Instituto de Estudos Avançados
da USP.
Em
sua exposição, Maurício Xavier fez
um breve histórico da “evolução do
frio”, lembrando que a refrigeração artificial
apareceu em 1775, quando William Cullen, em Glasgow, procedeu
à evaporação de éter etílico.
Já em 1859, com Ferdinand Carré, surgiu
o primeiro sistema de refrigeração por absorção
utilizando a amônia. Outras substâncias introduzidas
na refrigeração, nessa época, foram
o dióxido de carbono e o cloreto de metileno, que
porém possuíam alta toxicidade, gerando
casos de fatalidade.
Já
a partir da década de 30, conforme Xavier, foram
introduzidos os “halogenados” (CFCs - clorofluorcarbonetos
e HCFCs - hidroclorofluorcarbonetos), que mais tarde ficaram
notabilizados como gases destruidores da camada de ozônio
na atmosfera superior. Os HFCs - hidrofluorcarbonetos,
que surgiram na década de 90, como substitutos
dos CFCs, embora não danifiquem a camada de ozônio,
levam ao aquecimento global.
Quanto
às tendências futuras, no que se refere ao
mercado de fluídos refrigerantes, Xavier é
de opinião que, a curto prazo, o que ocorrerá
é a utilização, ainda, de HFCs em
equipamentos novos, a substituição de CFCs
por misturas de HCFCs com HFCs e a continuidade do uso
de amônia.
Porém,
prevê que a longo prazo, com base em pesquisas realizadas
atualmente, novas tecnologias, sem compressão,
e novos fluidos com reduzido potencial de aquecimento
global.
Carlos
Martins, por sua vez, lembrou a importância de se
debater o efeito estufa, ressaltando, entre outros dados,
que a projeção da temperatura média
da superfície da Terra para o século 21
indica um aumento de 1,4 a 5,8° C, e que a década
de 1991 a 2000 foi a mais quente dos últimos mil
anos, com destaque para 1998, que foi o ano mais quente
do milênio. Recordou que entre os principais gases
de efeito estufa, se encontram o dióxido de carbono,
o metano, óxido nitroso, os gases refrigerantes
CFC-12 e HCFC-22, o perfluormetano e hexafluoreto de enxofre.
Para
Martins, opções como o Mecanismo de Desenvolvimento
Limpo - MDL, favorecem países como o Brasil, que
podem computar o que deixou de ser emitido, depois de
2000, como créditos de carbono. Segundo explicou,
o Banco Mundial estima que o mercado de créditos
de carbono movimentará em países como o
Brasil, cerca de US$ 10 bilhões por ano. Informou
que os preços de mercado por tonelada de CO2 variam
entre 3 e 7 dólares.
Em
sua exposição, o engenheiro Victor Pulz
Filho informou que, até agosto último, havia
um total de 280 projetos de MDL no mundo, sendo 74 apenas
no Brasil. Disse que, até meados de setembro, dos
projetos em estágio de validação
- um estágio mais avançado no processo de
análise para certificação -, em exposição
para comentários públicos na internet, havia
um total de 45 projetos, sendo 7 brasileiros.
Com
relação aos projetos registrados, o número
total decresce para 19 - incluindo dois do Brasil - ,
correspondendo a uma estimativa de redução
total de dióxido de carbono, de cerca de 6,5 milhões
de toneladas por ano.
Luiz
Gylvan Meira Filho esclareceu que, apesar dos conflitos
na relação entre os protocolos de Montreal
e de Kyoto, não há previsão legal
de mudanças das regras, pelo menos até 2012,
quando termina a primeira etapa de vigência do Protocolo
de Kyoto. Explicou que um dos dilemas básicos no
cruzamento entre os dois grandes acordos mundiais gira
em torno das reações químicas entre
os CFCs e o ozônio da camada, que é também
um gás de efeito estufa. Desta maneira, à
medida que o Protocolo de Montreal for avançando,
com a esperada recomposição da camada de
ozônio, o efeito estufa tende a piorar.
Texto
Mário Senaga
Fonte:
http://www.ambiente.sp.gov.br/destaque/2005/setembro/19_ozonio.htm