O
diretor de Assuntos Estratégicos do Ibama, Luiz
Fernando Merico, disse hoje que as operações
de combate ao corte ilegal de árvores nativas na
Amazônia contribuíram para a queda de 31%
na taxa de desmatamento deste ano. As operações,
realizadas em parceria com a Polícia Federal, desmontaram
esquemas de fraudes de Autorização para
Transporte de Produtos Florestais (ATPF) e levaram para
a cadeia 271 pessoas (63 servidores públicos e
178 empresários madeireiros, despachantes, contadores
e gráficos).
Segundo
Merico, a fiscalização da Amazônia
é um desafio de grandes proporções
e, por isso, precisa constantemente de aperfeiçoamentos,
além do envolvimento das três esferas de
governo no Sistema Nacional de Meio Ambiente. “Embora
recentemente o Ibama tenha feito concurso para admissão
de 915 novos servidores, é impossível manter
um fiscal do órgão em cada quilômetro
quadrado”, afirmou o diretor. “Sendo assim, precisamos
do envolvimento de toda administração pública
nos municípios, estados e também da articulação
dos vários setores do governo federal, além,
claro, da sociedade”, afirmou.
O Ibama inaugurará no próximo semestre um
moderno sistema de monitoramento de transporte de madeira
em substituição à atual ATPF. O novo
sistema será acessado via internet e dificultará
a prática da corrupção. “Já
enfrentamos hoje com sucesso casos de falsificações
de ATPFs. Graças também a isso, fizemos
o desmatamento cair 31% no último ano. Agora, queremos
eliminar de vez casos de falsificações das
autorizações”, afirmou Merico. Segundo ele,
a meta é fechar o cerco às irregularidades
no setor a partir da extração da madeira.
Em entrevista na manhã de hoje, Merico informou
que a direção do Ibama pedirá que
a Polícia Federal investigue denúncia veiculada
no Programa Fantástico, da TV Globo, com denúncias
de corte e transporte ilegal de madeira na Amazônia,
além de falsificação de ATPFs. “Anotamos
o nome de todos os envolvidos citados na matéria
e das localidades e vamos apurar o crime com o rigor habitual”,
disse o diretor, ressaltando ainda que o combate ao desmatamento
ilegal é uma ação prioritária
do governo que já apresenta resultados.
Queda – O taxa atual de desmatamento mostra que, além
de conter o avanço da extração ilegal,
pela primeira vez em nove anos o abate retrocedeu. Foram
8.300 quilômetros quadrados a menos, uma área
equivalente a mais de um terço de Sergipe. Pelas
contas do Ibama, foram poupados das motosserras 207.050
mil metros cúbicos de madeira em tora, apreendidos
outros 271 mil metros cúbicos, que resultaram em
uma economia de R$ 463 milhões. Desde 2003, foram
apreendidos 582 mil metros cúbicos de madeira;
o Ibama lavrou R$ 1,8 bilhão em multas e 271 pessoas
foram detidas.
O Ibama cortou na própria carne, prendendo servidores
do Ibama envolvidos. O governo confiscou 26 tratores,
54 caminhões e 459 motosserras, recadastrou imóveis
rurais. Simultaneamente, o governo criou novas Áreas
de Limitação Administrativa Provisória,
inclusive em torno da BR-163 (rodovia Cuiabá-Santarém),
onde está suspensa, em 8,2 milhões de hectares,
qualquer nova ocupação e atividade que implique
desmatamentos.
O Ibama criou 8 milhões de hectares em Unidades
de Conservação, homologou mais de 9 milhões
de hectares de terras indígenas em áreas
de conflito social e agrário, enfrentando grileiros.
O governo deu resposta firme aos conflitos, restabelecendo
a ordem no campo e reduzindo significativamente a grilagem
de terras públicas na Amazônia.
Em 64 operações de baixo custo e longa duração,
como Caipora, Uiraçu e Pica-pau, houve a participação
580 fiscais do Ibama, agentes da Polícia Federal,
soldados do Exército, policiais da Polícia
Rodoviária Federal e das Polícias Militares
Estaduais. A fiscalização entrou na mata
em março e só saiu em novembro.
Rubens Amadori
Ascom Sede
Fonte:
http://www.ibama.gov.br/novo_ibama/paginas/materia.php?id_arq=3487