Um
dispositivo bastante simples permite reduzir significativamente
os prejuízos causados pelo bicho-furão-dos-citros,
praga que provoca anualmente perdas equivalentes a US$
50 milhões à citricultura do País.
Trata-se da armadilha denominada Ferocitrus Furão,
desenvolvida por pesquisadores da Escola Superior de Agricultura
Luiz de Queiroz (Esalq), da Universidade de São
Paulo de Piracicaba, que possibilita ao agricultor monitorar
a presença do inseto no pomar, antes que cause
algum dano.
Anteriormente
à criação da armadilha, o produtor
só decidia controlar a praga quando notava frutos
atacados na plantação, explica José
Maurício Simões Bento, professor de Entomologia
da Esalq e um dos coordenadores da pesquisa. Com o dispositivo,
ele sabe exatamente quando a praga entra no pomar e o
momento certo de aplicar o agrotóxico.
Além
de evitar perdas, o novo método impede reinfestação,
pois os insetos são exterminados antes que ponham
os ovos. No método antigo, as lagartas que já
estavam no interior do fruto não eram atingidas
pela ação do veneno, desenvolviam-se até
a fase adulta (a da mariposa) e colocavam ovos no pomar,
iniciando um novo ciclo.
Segundo
Bento, as perdas com essa praga podem chegar atingir entre
250 ou 300 frutos por planta. A produção
média é de mil frutos. “Com a utilização
da armadilha, a perda cai a praticamente zero. Não
passa de uma laranja por pé.”
O
sistema ainda reduz quase 50% os gastos do produtor com
inseticida, que só será aplicado na área
afetada e quando for necessário, e não mais
preventivamente em toda a área produtiva. “Além
de ser ecologicamente correto, é um sistema bastante
benéfico ao produtor”, salienta o pesquisador.
Ponteiro
do Citros
Desenvolvida
há cerca de dois anos, a armadilha consiste numa
espécie de caixinha de papelão, com uma
superfície adesiva (para capturar o bicho-furão)
e uma pastilha com o feromônio do inseto (substância
química liberada pela fêmea que atrai o macho
para o acasalamento). Uma abertura no dispositivo permite
a saída do odor proveniente do feromônio
e a entrada do macho da espécie.
Inicialmente,
a “caixinha” tinha o formato similar a um prisma. Modificações
realizadas recentemente deram-lhe forma parecida a um
“diamante”, melhorando ainda mais o dispositivo. Ficou
mais resistente, em razão do uso de um papelão
mais forte, e sujeita a menor quantidade de poeira, já
que a sua abertura diminuiu. Antes, era comum amolecer
ou desmanchar, quando exposta a muita chuva, e também
perdia um pouco a aderência da cola, com entrada
de poeira e detritos.
Instalada
no ponteiro (parte superior) dos citros, a armadilha,
juntamente com a pastilha, deve ser trocada a cada 30
dias. Cobre uma área de 10 hectares, que abrange
entre 3 e 3,5 mil pés de laranja, dependendo do
espaçamento adotado na plantação.
O
produtor deve monitorar o dispositivo semanalmente, contando
o número de insetos capturados. Constatando seis
ou mais insetos numa única semana, é necessário
aplicar inseticida na área para controlar a praga.
Quando são capturados menos de seis insetos, significa
que não há dano significativo na área,
não sendo necessária a aplicação
de inseticida.
Emprego
da armadilha diminui uso de agrotóxico
A
armadilha e a sua forma de utilização são
um trabalho pioneiro no Brasil, segundo o professor Bento.
Isso porque “todas as etapas da pesquisa e soluções
apresentadas foram desenvolvidas aqui no País”,
para atacar uma praga basicamente nacional (embora ocorra
nas Américas do Sul e Central, a citricultura nos
demais países da região não tem a
mesma expressão daqui).
Conforme
salienta, essa tecnologia vai ajudar muito a reduzir o
uso de agrotóxicos, tornando nossos produtos ainda
mais competitivos no mercado internacional. É também,
segundo ele, um exemplo de pesquisa envolvendo instituições
públicas e privadas. “O custo bastante baixo é
em razão da parceria com uma instituição
privada que viabilizou essa tecnologia”.
Responsável
por 85% dos citros cultivados no País, o Estado
de São Paulo concentra sua produção
nas regiões norte (englobando Bebedouro e outros
municípios), centro (São Carlos e Araraquara,
por exemplo), sul (Araras, Botucatu, entre outros), e
noroeste (Votuporanga e outras localidades).
Os
pesquisadores realizaram testes com a armadilha em alguns
desses municípios. Mas não dispõem
de dados abrangentes a respeito de sua utilização,
apenas resultados obtidos com alguns produtores monitorados
pela Esalq. O que se verificou foram perdas de, no máximo,
um fruto por planta e uma redução expressiva
no volume de inseticidas aplicado.
O
estudo, coordenado pelo professor José Roberto
Postali Parra, foi financiado pelo Fundo de Defesa da
Citricultura (Fundecitrus) e pela Cooperativa dos Cafeicultores
e Citricultores de São Paulo (Coopercitrus). Teve
ainda a parceria da Universidade Federal de Viçosa
e da Universidade da Califórnia – Davis (EUA).
A
Esalq detém a patente intelectual do produto, que
é comercializado em kits, contendo uma armadilha
e uma pastilha de feromônio por aproximadamente
R$ 20. Pode ser encontrado nas cerca de 20 lojas da Coopercitrus
espalhadas pelos principais municípios citrícolas
do Estado.
SERVIÇO:
Informações Fundecitrus
Tel.0800-112155
www.ferocitrusfurao.com.br
Paulo
Henrique Andrade
Da Agência Imprensa Oficial
(AM)
Fonte:
http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/lenoticia.asp?id=51213