Ações
de transferência de tecnologias e de pesquisas participativas
da Embrapa Roraima, estão melhorando a vida de
quase três mil índios, das etnias Macuxi,
Taurepang e Wapixana, em doze comunidades. Unidades demonstrativas
e de observação com mandioca, feijão
caupi e frutas já conseguiram bons resultados e
estão contribuindo para que os indígenas,
além do abastecimento familiar, possam vender o
excedente.
A comunidade Barro, na Vila Surumu, no município
de Pacaraíma, a 220 quilômetros de Boa Vista,
é o exemplo mais bem acabado. Lá, os índios
já estão comercializando o excedente da
produção de banana, maracujá e melancia.
“A cada colheita, há uma festa”, diz o assistente
de pesquisa Ozélio Isidório Messias, que
é índio Macuxi e supervisiona as unidades
demonstrativas.
Na comunidade Maracanã, no município de
Uiramutã, a 306 quilômetros de Boa Vista,
com a produção de mandioca que eles esperam
para este ano, o pensamento é um só: colocar
em funcionamento a fábrica de farinha do município
para suprir as necessidades da população
e exportar o excedente.
A maloca Flexal, também no município do
Uiramutã, também será beneficiada.
A Embrapa Roraima vai fazer, ainda este ano, a seleção
do feijão Flexal no próprio material cultivado
pelos índios. O objetivo é melhorar a produtividade.
O feijão caupi, uma das jóias da agricultura
familiar, está reinando na comunidade São
Jorge, em Pacaraíma. A variedade Mazagão
vem sendo cultivada desde 2003, com uma produtividade
média de 1 tonelada por hectare. A mandioca é
outro produto cultivado pela comunidade.
AVANÇO - Os índios de Roraima não
querem mais ficar limitados à agricultura de várzea.
Eles pensam agora em cultivar nas áreas de lavrado
(cerrado). A comunidade Contão, que também
pertence ao município de Pacaraíma, tem
motivos de sobra. Quando o rio Cotingo tem uma cheia,
alagando as plantações, o desespero bate
à porta dos indígenas. Por isso, eles querem
trabalhar no lavrado, mesmo sem a mecanização.
No Contão, o pesquisador Dalton Roberto Schwengber,
instala, agora em junho, uma unidade de observação
com mandioca numa área de lavrado. Variedades como
a RR-0035, com aptidão para farinha, que já
apresentou uma produtividade média de 44, 6 toneladas
por hectares, em cultivo de dois ciclos de 27 meses, serão
testadas. Em julho, será a vez do feijão
caupi chegar à comunidade através de outra
unidade de observação.
As tecnologias da Embrapa Roraima estão chegando
também às comunidades de Boca da Mata, Milho,
Truaru, Uiramutã II, Nova Vida, Flexal, Ticoça
e Anta. Na Boca da Mata o trabalho está sendo de
pesquisa participativa. O pesquisador Geraldo Nogueira
Filho instalou uma unidade de observação
de abacaxi, da variedade Cabeça de Anta, de uso
tradicional dos índios. Nas outras comunidades,
serão instaladas unidades de observação
de feijão caupi e de mandioca. Nessa ação,
serão testadas, para melhoramento, as variedades
de mandioca Anita, Gabi e Jaricuna, usadas tradicionalmente
pelos indígenas.
FONTE: Embrapa
Roraima