O
desenvolvimento do setor agrícola está diretamente
ligado à disponibilidade de energia. Porém,
o preço elevado e a ameaça de escassez das
fontes não-renováveis têm despertado
a preocupação em se buscar fontes alternativas.
Pensando nisso, a Embrapa Agroindústria Tropical,
(Fortaleza/CE), Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa
Agropecuária, vinculada ao Ministério da
Agricultura, Pecuária e Abastecimento, realizou
experimento com um sistema de irrigação
localizada acionado por energia eólica, utilizando
cataventos hidráulicos.
O
estudo foi desenvolvido no Campo Experimental de Pacajus
(CE), e teve como objetivo avaliar os custos e os benefícios
da adoção do sistema na Região Nordeste,
determinando a área máxima de capacidade
do sistema e o desempenho hidráulico.
Segundo
o pesquisador da Embrapa Agroindústria Tropical,
Lindbergue Araújo Crisóstomo, "a utilização
racional da energia eólica pode ajudar, principalmente,
os pequenos produtores de frutas do Nordeste, utilizando
um sistema de baixo custo de manutenção
e não-poluente".
O
sistema de irrigação localizada estudado
pela Embrapa permite uma aplicação freqüente
de pequenas quantidades de água, que se ajusta
à taxa de absorção de água
pelas plantas cultivadas. A eficiência de aproveitamento
de água ocorre em função de sua melhor
condução e distribuição no
sistema radicular.
Esse
sistema consiste de um catavento do tipo convencional
instalado sobre um poço com profundidade de 17m;
uma bomba de pistão aspiro-premente para elevar
a água e uma caixa d'água - que deve estar
instalada a uma altura de seis metros. De acordo com Lindbergue,
é necessário que exista uma fonte de água,
que pode ser um poço, uma cacimba, um riacho ou
um açude. Outra premissa básica para a instalação
do sistema é que a propriedade esteja em uma região
com ventos acima de 2,4m/s (como, por exemplo, a faixa
litorânea do Nordeste), que é a velocidade
mínima necessária para colocar o catavento
em funcionamento.
Nos
testes realizados em Pacajus, o sistema apresentou eficiência
para pequenas áreas, dependendo da cultura (veja
tabela). Na comparação com o sistema de
bombeamento elétrico, a utilização
do catavento apresenta um custo inicial maior. Mas, segundo
Lindbergue, "a médio e longo prazos, o sistema
de irrigação utilizando energia eólica
apresenta vantagens, uma vez que não é preciso
pagar pela fonte de energia (vento), a manutenção
dos equipamentos também tem um custo menor, além
de ser um sistema não poluidor do meio ambiente".
O
pesquisador acrescenta, ainda, que o sistema pode ser
a solução para viabilizar o cultivo irrigado
em regiões aonde não exista energia elétrica
instalada. Lindbergue avalia que, para ampliar a utilização
do sistema em pequenas propriedades, uma alternativa seria
que houvesse um programa de financiamento de longo prazo
para a compra e a instalação dos equipamentos.
O projeto foi financiado pela Fundação Cearense
de Apoio à Pesquisa (Funcap) e pela Embrapa Agroindústria
Tropical.
Fonte:
Embrapa agroindústria Tropical http://www.embrapa.br/