Estudo
publicado na edição dessa semana do "New
England Journal of Medicine", um dos mais prestigiosos
periódicos médicos do mundo, compara os
efeitos da poluição ao do fumo passivo e
comprova que pessoas expostas a altos níveis de
poluentes no período de crescimento têm capacidade
pulmonar menor que as criadas em áreas "limpas".
Segundo
pesquisadores da Universidade da Califórnia do
Sul, autores de "Os efeitos da poluição
do ar no desenvolvimento do pulmão" e que
monitoraram 1.759 pessoas dos 10 aos 18 anos, em 12 cidades,
a incidência de jovens com capacidade pulmonar abaixo
do normal entre as que cresceram em ambiente poluído
é cinco vezes maior. "Déficits ligados
à poluição", diz o texto, são
"grande fator de risco para complicações
e mortes na vida adulta".
"Esse estudo é relevante também para
o Brasil. Tenho certeza que os resultados são aplicáveis
a São Paulo", diz Rob McConnell, um dos autores,
que trabalhou na OMS (Organização Mundial
da Saúde) e conhece a cidade.
Sem
ter dados específicos, ele diz crer que São
Paulo provavelmente tem índices de poluição
piores do que algumas das comunidades mais "sujas"
analisadas.
Entre
as mais limpas, 1,6% dos adolescentes acompanhados entre
1993 e 2001 apresentaram capacidade pulmonar abaixo do
esperado. Entre as poluídas, 7,9%.
A diferença foi causada por um aumento menor da
capacidade pulmonar entre os moradores das comunidades
"sujas". Afirmam isso porque, aos dez anos,
eles dizem, as capacidades pulmonares de todas as crianças,
nas diferentes comunidades, eram semelhantes, e os incrementos
proporcionais foram diferentes.
"O
nível de efeito que constatamos é semelhante
ao do fumo passivo. É como se tivessem um fumante
em casa", afirma.
Com
diferentes níveis de poluição nas
12 comunidades, os pesquisadores descobriram que há
relação linear entre aumento dos poluentes
no ambiente e queda da capacidade pulmonar. Entre as mais
"sujas", parte da poluição vinha
da vizinha Los Angeles.
Mais
um fator a aproximar a experiência da Califórnia
à realidade brasileira. "São Paulo
é um dos piores lugares da América Latina
quando se trata de poluição, com Santiago,
no Chile, e Cidade do México", declarou o
autor.
Fonte:
http://www.saude.ribeiraopreto.sp.gov.br/ssaude/noticias/2004/0409/I16040913dano.htm