Sandra
Carvalho
A
Organização Mundial do Comércio (OMC)
inicia nessa sexta-feira (20/01) o processo de análise
do pedido da União Européia (UE), quanto
à compatibilidade entre as disciplinas multilaterais
de comércio e as diversas medidas brasileiras relativas
à importação de pneus reformados.
O Brasil proíbe as importações de
pneus reformados, assim como as de carcaças, baseado
em considerações ambientais e de saúde
pública. Essas considerações estão
apoiadas no amplo reconhecimento internacional de que
os resíduos de pneus representam um grande problema
ambiental.
O secretário-executivo do Ministério do
Meio Ambiente, Claudio Langone, disse que o Brasil lamenta
a decisão da UE de pedir o estabelecimento de painel
na OMC, na presente controvérsia. Durante as consultas
mantidas sobre o tema, o Brasil ofereceu informações
abundantes e evidências de que as medidas que a
UE agora leva à etapa de painel estão em
plena harmonia com as obrigações multilaterais
do país.
Claudio Langone lembra que na UE tem uma geração
anual de cerca de 300 milhões de carcaças
de pneus, sendo 26% (80 milhões), hoje, dispostos
em aterros. A partir de meados de 2006, as instruções
normativas da UE sobre aterro impedem a disposição
de pneus no solo obrigando, assim, os países a
buscarem outras formas de destinação.
De acordo com Langone, dar um fim adequado a pneus é
um desafio em todo o mundo, mas muitos países tentam
resolver seus problemas enviando seus resíduos
como "ajuda humanitária" ou como "solução
ambientalmente adequada" para nações
pobres ou em desenvolvimento.
"É injusto que países desenvolvidos
adotem estratégias de gestão de resíduos
que incluam, na prática, exportação
de pneus usados para países em desenvolvimento.
É igualmente inaceitável que países
em desenvolvimento apareçam como uma solução
de mercado para problemas ambientais de países
desenvolvidos", acentuou Langone.
Estimativas indicam que quase 1 bilhão de pneus
alcançam o fim de sua vida útil todo ano
e são, dessa forma, descartados. "Esse número
assombroso é, em si, uma indicação
de que os resíduos de pneus são um problema
não só do Brasil, mas de escala mundial.
O Brasil, no entanto, não pode ser a solução
para destinação dos resíduos de outros
países", destacou.
O governo brasileiro entende que as importações
de pneus reformados, produtos de vida útil reduzida,
agravam o passivo ambiental do país importador,
por gerar volumes adicionais de resíduos a serem
eliminados.
No Brasil, a importação de pneus usados
é proibida desde 1991, em virtude de portaria do
Departamento de Comércio Exterior (DECEX). Apesar
da proibição, somente no ano de 2004, 7.564.360
pneus usados foram importados pelo Brasil como matéria-prima
por força de decisões judiciais. Entre 1990
e 2004, o número total importado foi superior a
34 milhões de unidades. Apenas em 2005, mais de
11 milhões de carcaças (o equivalente a
quase 1/3 do montante importado nos 14 anos anteriores)
ingressaram no território nacional. Se dispostos
lado a lado, esses 11 milhões de carcaças
formariam uma linha reta maior que à distância
do Oiapoque ao Chuí.
Para o secretário Claudio Langone, o despejo ou
a queima de pneus no meio ambiente causa danos ambientais
extremamente sérios. " A queima de pneus a
céu aberto é proibida em muitos países
devido à emissão de substâncias altamente
tóxicas, tais como metais pesados, dioxinas e furanos,
conhecidos por causar câncer e outros problemas
de saúde!", destacou.
O estoque e a existência de aterros de resíduos
de pneus são igualmente proibidos em muitos países
em razão do risco de incêndios que resultam
na emissão de gases tóxicos e contaminação
do solo e água. Pneus estocados também são
locais ideais para a proliferação de mosquitos
transmissores de doenças sérias como febre
amarela e dengue. Segundo os mais recentes dados coletados
pelo Ministério da Saúde, o número
de casos de dengue cresceu exponencialmente no território
brasileiro entre 2004 e 2005. O risco de epidemias de
dengue cada vez mais graves no futuro agrega elemento
de saúde pública à crise ambiental.
Segundo Langone, a proibição das importações
de pneus reformados é uma medida necessária
à proteção da vida e saúde
humanas, animais e vegetais."Nenhuma outra política
razoavelmente disponível ou opção
de gestão permitiriam ao Brasil atingir padrões
de saúde e proteção ambiental apropriados"
explicou.
Não existem estudos ambientais suficientemente
desenvolvidos que atestem a qualidade ambiental dos processos
de destinação de pneus. "Ao contrário,
diversas fontes alertam para os riscos concretos de contaminação
ambiental associados com os referidos processos, bem como
para os efeitos nocivos que os mesmos podem causar à
saúde humana", concluiu Claudio Langone.
ASCOM
FONTE: http://www.mma.gov.br/ascom/ultimas/index.cfm?id=2207