Um
filhote de pássaro de 121 milhões de anos
que se tornou um fóssil quando ainda encolhido
em seu ovo foi encontrado no nordeste da China, de acordo
com a edição desta semana da revista Science.
Acredita-se que o fóssil seja o embrião
de ave mais antiga já descoberto. O material atraiu
o interesse dos pesquisadores por causa da existência
de penas. Muitas das aves voadoras de hoje são
peladas quando deixam o ovo.
Os cientistas dizem que este fato dá sustentação
à visão de que as aves desenvolveram uma
estratégia para deixar os ovos ainda sem a formação
de penas mais tarde.
"Este fóssil é interessante porque
seu estado de preservação é tão
excepcional que até os tecidos moles como penas
foram conservados", disse Angela Milner, do Museu
de História Natural de Londres. "Para um embrião
ainda dentro do ovo é surpreendente como as penas
estavam avançadas."
Totalmente formadas
Os pesquisadores afirmam que o grau de maturidade do embrião
fossilizado pode levar à conclusão de que
se trate de um tipo de ave ("precocial") que,
como galinhas, patos e avestruzes, produzem filhotes que
estão aptos, de imediato, a correr e se alimentar
sozinhos pouco depois de deixarem o ovo.
Aves como passarinhos, por sua vez, nascem cegos, sem
penas e indefesos. Eles (aves "altriciais")
exigem cuidados de seus pais para sobreviver.
A maioria das aves que habitam as árvores nos dias
de hoje pertencem à segunda categoria. Então,
eles podem se desenvolver totalmente em um ambiente protegido,
como um ninho, antes de se lançar em tarefas mais
arriscadas como voar.
O fato de que esta ave – que viveu no período Cretáceo
Inferior – era do tipo que já nasce com o desenvolvimento
bastante avançado pode sugerir que ele não
tinha os mesmos luxos de seus parentes dos dias modernos.
A ave pode ter sido forçada a encontrar seu próprio
caminho no mundo muito mais cedo.
Este fóssil dá sustentação
à idéia de que as primeiras aves que habitaram
a Terra ainda não haviam desenvolvido a estratégia
de necessitar de intensa assistência paterna para
se desenvolver.
Os pesquisadores por trás da análise do
fóssil disseram que acredita-se, de maneira geral,
que as aves do tipo "precocial" são mais
antigas do que as do tipo "altricial".
Quatro asas
Em outros desdobramentos, um novo fóssil de ave
descoberto na China pode esclarecer uma teoria controvertida
sobre a origem do vôo.
Alguns cientistas acreditam que as aves passaram por uma
fase de "quatro asas" em sua evolução
antes que a cauda chegasse ao formato aerodinâmico
dos dias de hoje.
Na revista Nature, Fucheng Zhang e Zhonghe Zhou, da Academia
Chinesa de Ciências de Pequim, descreveram uma ave
fossilizada do início do período Cretáceo
que tem longas penas nas pernas.
A ave pertence a um tipo que habitou a Terra entre 145
milhões e 125 milhões de anos.
Paleontólogos descobriram evidências da existência
de um dinossauro com penas e quatro asas chamado Microraptor.
A criatura, do tamanho de um esquilo, utilizava penas
longas que recobriam seus quatro membros para planar ou
como pára-quedas em seu salto de uma árvore
a outra.
FONTE: BBC Brasil