Compostagem transforma resíduos agroindustriais em adubo orgânico


Quatro milhões de toneladas. De acordo com um levantamento realizado recentemente pela Embrapa Tabuleiros Costeiros (Aracaju - SE) - unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento - essa é a quantidade de cascas de coco e resíduos agroindustriais diversos produzidos por ano em Sergipe.

Geralmente todo esse material acaba indo para o lixo ou sendo queimado, mas por meio de um processo chamado compostagem esses resíduos poderiam se transformar em nada menos do que 2,4 milhões de toneladas de adubo orgânico de alta qualidade. Isso sem contar as cerca de 90 milhões de folhas que caem naturalmente dos coqueirais a cada ano.

Segundo a pesquisadora Maria Urbana Corrêa Nunes, da Embrapa Tabuleiros Costeiros, que no último dia 18/11 ministrou um curso sobre o assunto, praticamente todos os resíduos agroindustriais podem ser usados na compostagem. "Desde os resíduos da usina açucareira, que é a torta de cana, até os resíduos de cervejarias, estercos e restos vegetais, como cascas de coco, folhas de coqueiro, palha de arroz, etc", destaca.

A pesquisadora explica que o produtor não precisa de muitos equipamentos para fazer a compostagem. O primeiro passo é conhecer os resíduos gerados na propriedade. O ideal é fazer uma análise química desses resíduos para conhecer a sua composição. Em seguida, é feita a coleta dos resíduos e o seu transporte para o local onde eles serão compostados. Se a finalidade é produzir substratos para comercialização, o pátio de compostagem tem que ser cimentado. Isso é necessário para evitar a contaminação do substrato por patógenos existentes no solo.

Caso o interesse do produtor seja a fabricação de adubo orgânico para uso próprio, basta ter uma área com o solo bem compactado. O importante é tomar cuidado para que o composto não seja contaminado com solo. Quando se produz em larga escala, o pátio também pode ser de asfalto reforçado, pois o revolvimento é feito com máquinas que precisam de um piso resistente para agüentar o impacto.

Os resíduos devem ser triturados em pedaços pequenos de até cinco centímetros para facilitar a compostagem. Materiais mais frágeis, como capim, podem ser triturados com uma máquina forrageira. No caso de cascas de coco, que são mais resistentes, é preciso usar máquinas especiais, pois a forrageira duraria poucas horas nessa atividade.

A Embrapa Tabuleiros Costeiros, em parceria com um engenheiro mecânico de Fortaleza, desenvolveu um equipamento específico para triturar cascas de coco. A máquina pode ser adquirida sob encomenda. Após a trituração, deve-se definir a proporção de cada material que será usado na compostagem. Depois, esses materiais são misturados com esterco e pó de pedra. A proporção da mistura depende da matéria-prima utilizada.

Geralmente são usadas três partes de fonte de carbono, que são as palhas e folhas, para uma parte de material rico em nitrogênio, que são os estercos. Porém, essa proporção depende da relação cálcio-nitrogênio do composto. Por isso, é importante que o produtor conheça os seus resíduos e procure um técnico para orientá-lo.

A mistura pronta é colocada na leira de compostagem, que deve ter 3 metros de largura, altura de 1,5 a 1,8 metro e um comprimento em torno de 30 a 40 metros. Montada a leira, o produtor deve monitorar a temperatura e a umidade constantemente.

A umidade deve ficar em aproximadamente 60%. Logo após a montagem, a temperatura pode chegar até a 70ºC. Depois ela vai caindo e no final do processo deve ser igual à temperatura externa, pois todo o material já foi fermentado. O monitoramento da temperatura é feito com um termômetro. Se o produtor não tiver esse equipamento, ele pode usar vergalhões de ferro, que são introduzidos em vários pontos da leira a uma profundidade de 60 centímetros.

Depois de cinco minutos, o ferro é retirado e deve-se colocar a mão imediatamente na parte que estava dentro da leira. Se suportar a temperatura é porque ela está normal. Caso o ferro esteja muito quente, e não seja possível segurá-lo, a leira de compostagem está muito quente. Esse monitoramento da temperatura e da umidade deve ser feito a cada três dias. Quando necessário, o resfriamento é feito com água e o aquecimento por meio do reviramento, que injeta oxigênio na leira e favorece o trabalho dos microorganismos.

Se a temperatura e a umidade estiverem normais, o material deve ser revirado a cada 15 dias, colocando-se para dentro a parte externa da leira. No caso do pequeno produtor, esse revolvimento pode ser feito de forma manual. A compostagem leva de 60 a 120 dias para ficar pronta, mas é possível fazê-la com até 30 dias, dependendo do material utilizado e do manejo correto.

A pesquisadora Maria Urbana Corrêa Nunes ressalta que o processo de compostagem traz grandes benefícios econômicos e ambientais. "Atualmente a maioria desses resíduos é jogada no lixo. A casca do coco, por exemplo, leva mais de oito anos para se decompor na Natureza", afirma.

De acordo com a pesquisadora, o uso da compostagem é recomendado para todos os tamanhos de propriedade. "Já se sabe há milênios que a matéria orgânica é o principal fator de fertilidade do solo. O adubo químico fornece nutrientes para a planta, mas a matéria orgânica, além de fornecer esses nutrientes, mantém a vida e a fertilidade do solo", assinala a Maria Urbana.

Eduardo Pinho Rodrigues (MTb 1073/GO
Embrapa Tabuleiros Costeiros

FONTE: http://www.embrapa.br:8080/aplic/bn.nsf/Noticias?OpenView


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