Nem
bem a Aratinga pintoi foi descoberta e já
necessita de cuidados especiais para não ser extinta.
O mais novo periquito brasileiro, conhecido popularmente
pelo nome de cacaué, precisa ser protegido antes
que os traficantes de animais silvestres cheguem ao seu
habitat, em Monte Alegre (PA), distante 623 quilômetros
de Belém. 'Como o cacaué vive em uma área
muito restrita, um processo intenso de captura pode colocá-lo
rapidamente na lista de animais ameaçados de extinção',
afirma o biólogo Luís Fábio Silveira,
do Departamento de Zoologia do Instituto de Biociências
(IB) da Universidade de São Paulo (USP).
Segundo
o pesquisador, por muito tempo a Aratinga pintoi
foi confundida com uma parente próxima, a Aratinga
solstitialis, conhecida popularmente por jandaia-sol.
'Pensava-se tratar-se de um híbrido entre espécies
do grupo ou de uma plumagem de imaturo'. Após visitar
várias coleções no Brasil e no exterior,
observando cuidadosamente exemplares da jandaia-sol e
do cacaué, o grupo de Silveira pôde desfazer
o engano, que já perdurava por quase um século
(os primeiros exemplares da Aratinga pintoi datam
de 1906).
O
maior problema agora, segundo ele, é que o anúncio
da descoberta do novo periquito pode fomentar o tráfico,
ilegal e altamente prejudicial a esta espécie.
'Gostaríamos de fazer uma recomendação
ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) e às
autoridades paraenses no sentido de que tenham atenção
com o tráfico de animais silvestres nesta região',
avisa Silveira.
Outro
fator que aumenta o risco da espécie é a
sua pequena população. Por ser um animal
cujo habitat se restringe a áreas de vegetação
aberta, e na Amazônia elas são poucas e fragmentadas,
o pesquisador acredita que provavelmente não existam
muitas A. pintoi na natureza. Estas áreas
abertas, existentes no meio da floresta amazônica,
podem propiciar ainda outros frutos. 'Pode haver outras
espécies não descritas nesta região,
como esta que acabamos de descobrir', explica.
Espécie
endêmica
A
Aratinga pintoi, que mede cerca de 30 centímetros,
é uma espécie endêmica da região
de Monte Alegre, onde é bem conhecida e relativamente
fácil de ser encontrada. Silveira conta que, em
uma de suas viagens ao local, em apenas quatro horas conseguiu
documentar diversos aspectos da biologia da nova espécie:
fotografou, gravou vocalizações da ave,
descobriu um ninho e capturou cinco exemplares, hoje depositados
no Museu de Zoologia (MZ) da USP.
As
principais características que distinguem a Aratinga
pintoi das outras espécies do grupo são
baseadas na coloração de sua plumagem, como
traços de amarelo-claro misturados com verde nas
asas e no dorso, laranja-claro na região ventral
e nos flancos, e raque (haste) negra nas penas da região
peitoral.
A
pesquisa foi publicada, nesta semana, na revista de ornitologia
The Auk, a mais importante desta área.
Assinam o estudo, além de Silveira, Flávio
César Thadeo de Lima e Elizabeth Höfling,
todos pesquisadores do IB. Este projeto de estudo foi
financiado pela Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e teve
o apoio do Ibama e do Ministério do Meio Ambiente
(MMA), além da United Parcel Service Brasil (UPS
Brasil).
Da
Agência USP
Por André Benevides
(LRK)
FONTE: http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/lenoticia.asp?id=61468