Estudo
constatou alto teor de uma substância antimicrobiana,
antitumoral e antioxidante
Os
benefícios proporcionados pela própolis
são bastante conhecidos pelo homem, que a utiliza
desde a antiguidade. Na Faculdade de Ciências Farmacêuticas
(FCF) da USP, uma dissertação de mestrado
estudou a própolis da Serra do Japi (região
próxima à cidade de Jundiaí, em São
Paulo) investigando sua composição química,
sua fonte botânica e sua contribuição
em processos de cicatrização.
'Resolvemos
analisar a atividade da própolis sobre células
de fibroblastos de camundongo', conta Cristiano Funari,
autor do estudo. Segundo ele, o uso popular da própolis
como cicatrizante é citado por muitos autores.
'Contudo, ainda não há informação
de que alguém tivesse investigado que mecanismo
de ação poderia estar envolvido nesta suposta
atividade biológica' diz. O objetivo foi montar
um projeto cujos resultados pudessem contribuir para se
estabelecer quais atividades biológicas corresponderiam
a um tipo específico de própolis, em função
de sua composição química e origem
botânica.
Funari
constatou que a origem botânica da própolis
produzida nessa região é o alecrim do campo
(Baccharis dracunculifolia). Nos estudos de influência
da própolis sobre fibroblastos, realizados em parceria
com a doutora Mônica Mathor (IPEN), constatou-se
que algumas concentrações da substância
aumentavam a quantidade dessas células. Mas, estatisticamente,
essa proliferação não foi significativa.
'Com base em nossos resultados e a partir de uma revisão
bibliográfica, constatamos que provavelmente a
própolis de alecrim do campo atua no processo de
cicatrização indiretamente, tornando o ferimento
asséptico e livre de inflamação patológica',
explica o pesquisador.
Nos
estudos químicos, Funari verificou uma grande variedade
de substâncias fenólicas (flavonóides
e ácidos fenólicos), com destaque para o
alto teor de Artepillin C (5,48% sobre a própolis
bruta). 'Essa substância teve suas atividades antimicrobiana,
antitumoral e antioxidante comprovadas por cientistas
japoneses, que vêm tentando sintetizá-la',
conta.
Origem
geográfica
Segundo
o pesquisador, há uma considerável quantidade
de informações disponíveis na literatura,
relativas a aspectos químicos e biológicos
da própolis, porém sua aplicação
terapêutica ainda pode ser considerada incipiente.
Isto se deve, principalmente, à grande variabilidade
de composição química em função
da origem geográfica em que a própolis foi
elaborada. 'Em diferentes ecossistemas as abelhas recorrem
a distintas espécies vegetais para extrair matérias-primas.'
Na
revisão bibliográfica realizada, porém,
foi percebido que esta variabilidade não é
tão grande assim. 'É possível dividir
o planeta em macro regiões, estabelecendo-se em
que regiões as abelhas recorrem a plantas específicas.
Isto permitiria se classificar as diferentes própolis
por suas origens geográficas e botânicas,
estabelecendo bases para uma futura padronização',
explica o pesquisador. 'A indústria farmacêutica
conheceria quais atividades biológicas e composições
químicas corresponderiam à própolis
de determinada fonte.' Funari destaca a falta de investigações
mais amplas para uma mesma amostra, que contemplem estudos
biológicos, botânicos e químicos.
Atualmente,
Cristiano Funari planeja uma continuidade deste trabalho,
já que, segundo ele, muita coisa ainda pode ser
investigada deste produto tão valioso. Uma das
hipóteses é trabalhar com própolis
de diferentes regiões do Brasil, já que
a mega diversidade brasileira deve prover inúmeros
'tipos' de própolis, com propriedades biológicas
e composições químicas diferentes.
'Temos própolis de algumas regiões brasileiras
que sequer foram estudadas.'
Yara
Camargo - Agência USP
FONTE:
http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/lenoticia.asp?id=62258