Brasília
(DF) - O governo brasileiro e o Banco Mundial anunciaram
hoje um programa de empréstimos no valor de até
US$ 1,2 bilhão, em quatro anos. O primeiro empréstimo,
aprovado hoje pela Diretoria do Banco, é de US$
505 milhões e reconhece avanços significativos
na política de sustentabilidade ambiental brasileira.
"Uma das características mais importantes
da estratégia ambiental brasileira, reconhecida
e apoiada por este empréstimo, é o envolvimento
de vários segmentos de governo e da sociedade em
torno do tema", disse a ministra do Meio Ambiente,
Marina Silva.
De forma geral, o empréstimo apóia a inserção
transversal dos temas meio ambiente e desenvolvimento
sustentável nas instâncias decisórias
do país, uma diretriz já em implementação
por parte do governo. Este primeiro empréstimo
apóia diversas iniciativas governamentais para
integrar questões ambientais e sociais ao desenvolvimento
nacional, inclusive implementando mudanças institucionais
para uma gestão mais efetiva e para a melhoria
das condições econômicas em médio
e longo prazos.
O empréstimo não requer despesas adicionais
por parte do governo e será direcionado ao Tesouro
Nacional, para necessidades de equilíbrio fiscal
do país. "Os recursos do Banco Mundial respaldam
aquilo que foi produzido pelo Ministério do Meio
Ambiente e demonstram que a questão não
pode ser restrita ao Meio Ambiente, deve ser uma preocupação
dos principais ministérios do governo", disse
o ministro da Fazenda, Antônio Palocci.
O programa foi aprovado a partir de um compromisso inédito,
assumido por sete ministérios - Meio Ambiente,
Fazenda, Minas e Energia, Desenvolvimento Agrário,
Integração Nacional, Cidades e Turismo.
Alguns dos avanços obtidos na área ambiental,
com participação de vários ministérios,
são:
- Plano BR-163 Sustentável;
- Plano Amazônia Sustentável;
- Novo Concurso Público do MMA/Ibama;
- Instalação de Comissões Tripartites
em 15 estados;
- Qualificação do processo de licenciamento
ambiental;
- Plano para Prevenção e Controle do Desmatamento
na Amazônia;
- Desenvolvimento de novas metodologias para o planejamento
urbano;
- Instalação da Comissão Coordenadora
do Programa Nacional de Florestas;
- Aprimoramento de instrumentos financeiros para promover
avanços ambientais;
- Novo plano de Reforma Agrária, incluindo critérios
ambientais nos assentamentos;
- Ratificação das convenções
de Estocolmo e de Roterdã e do Protocolo de Cartagena;
- Decreto definindo as Áreas Prioritárias
para Conservação da Biodiversidade e Mapa
dos Biomas.
O programa prevê novos empréstimos, nos próximos
quatro anos, de até US$ 700 milhões, que
atestarão a continuidade dos avanços nas
políticas públicas para a sustentabilidade
ambiental: ampliando o nível de implementação
e o controle social do Sistema Nacional de Meio Ambiente
(Sisnama); melhorando a coordenação e a
definição das responsabilidades entre os
três níveis governamentais; aperfeiçoando
o licenciamento ambiental; promovendo o desenvolvimento
sustentável na Amazônia e a proteção
de outros ecossistemas; e qualificando a gestão
das águas com maior descentralização
e autonomia financeira e melhor administração
local. Como parte do programa, uma nova proposta para
empréstimo, de US$ 8 milhões, está
sendo negociada pelo governo com o Banco Mundial para
apoiar os ministérios na obtenção
das metas do programa. "Começamos a convergir
o desenvolvimento com as necessidades da preservação
e da inclusão social", ressaltou Marina Silva.
No Brasil, o meio ambiente é crucial para o desenvolvimento
e para o bem estar da população, já
que grande parte da economia é baseada no uso dos
recursos naturais. Além disso, o país abriga
um terço das florestas tropicais do mundo, o maior
manancial de água doce, uma das maiores costas
marítimas, com mais de 8,5 mil quilômetros
de extensão, sem falar no Cerrado, a área
de savanas com maior biodiversidade do globo. "Esse
é o maior empréstimo já feito pelo
Banco no setor de meio ambiente em todo o mundo, e reconhece
o compromisso do governo brasileiro com a área
ambiental e reforça o apoio da comunidade internacional
a iniciativas desse tipo, como a segunda fase do PPG7",
disse o diretor para o Brasil e vice-presidente do Banco
Mundial, Vinod Thomas.
O prazo para pagamento dos empréstimos será
de 17 anos, com cinco anos de carência. Atualmente,
o Banco Mundial financia 50 projetos no Brasil, totalizando
mais de US$ 4,5 bilhões. Desde 1949, o Banco já
fez mais de 300 financiamentos e investiu mais de US$
33 bilhões no país. "O empréstimo
é concedido em condições vatajosas
e apoiará o conjunto das contas do governo, permitindo
novas iniciativas na área ambiental", disse
o ministro Palocci.
Também participaram do anúncio dos recursos,
na tarde de hoje, no Ministério do Meio Ambiente,
o secretário de Assuntos Internacionais do Ministério
da Fazenda, Luiz Pereira da Silva, e o coordenador do
Banco Mundial para o Desenvolvimento Social e Ambientalmente
Sustentável, Luiz Gabriel Azevedo.
ASCOM
Fonte:
http://www.mma.gov.br/