Brasília
(24/01/05) - Técnicos do Ibama aprofundarão
análises sobre os impactos do Projeto de Integração
do Rio São Francisco a Bacias do Nordeste Setentrional
sobre a tribo dos índios truka e eventual crise
da agricultura irrigada em Pernambuco. As duas questões
surgiram em Salgueiro (PE) durante a quarta audiência
pública realizada pelo Ibama para discutir o relatório
de impacto ambiental (Rima) do projeto.
Cerca
de 200 índios das etnias truka e tumbalalá
compareceram ao evento. Eles viajaram cerca de 70 quilômetros
para questionar se a transposição causará
danos para as aldeias. O representante do Ministério
da Integração, João Urbano, explicou
que os tumbalalá, de Curaçá (BA),
estão fora do traçado do projeto e a captação
da água que ocorrerá a 800 metros da ilha
de Assunção em Cabrobó (PE) onde
vivem os truka não implicará prejuízos
às atividades dos índios.
De
qualquer forma, o Ministério de Integração
Nacional e a gerência do Ibama/PE acataram pedido
dos índios para realizar uma reunião extra
em Cabrobó no próximo domingo (30) para
nova apresentação e discussão do
projeto. A reunião não faz parte da série
de oito audiências públicas marcadas pelo
Ibama, mas os resultados serão anexados ao processo
de licenciamento da obra.
A
exemplo dos índios, as opiniões e observações
dos participantes das audiências públicas
sobre a transposição serão consideradas
pelo Ibama. O diretor de Licenciamento e Qualidade Ambiental
do Ibama, Nilvo Silva, enfatiza que realizar audiência
pública é um quesito do processo de licenciamento
exigido por lei e não significa a concessão
automática da licença ambiental para o empreendimento
em análise.
Ainda
faltam quatro audiências. A de amanhã, marcada
às 18h30 em Belo Horizonte, foi cancelada por decisão
da Justiça mineira. O Ibama entrará ainda
hoje com recurso contra a decisão e espera derrubar
a liminar a tempo de manter a agenda em Minas Gerais.
Histórico
- Há dois anos, o Ministério da Integração
decidiu executar o projeto de integração
de Rio São Francisco, arquivado por governos anteriores.
No final de 2003, o Ibama determinou a reelaboração
do relatório de impacto ambiental do projeto (Rima).
O novo estudo está em consulta pública desde
setembro. O Ibama analisa se o empreendimento é
viável ambientalmente e verifica também
se as compensações (incluindo as sociais)
propostas pelo Rima estão adequadas ou há
necessidade de medidas complementares.
O
coordenador de Licenciamento e Qualidade Ambiental, Luiz
Felippe Kunz Junior, informa que nas quatro primeiras
audiências realizadas pelo Ibama não foram
aprofundadas questões sobre impactos ambientais.
Segundo ele, em Sousa na Paraíba a maior preocupação
era com desapropriação de terra. Em Natal
(RN), os participantes das audiências questionaram
a necessidade do projeto e se medidas alternativas não
seriam mais eficazes. Já em Fortaleza (CE) a maior
polêmica foi o custo da água e quem pagará
a conta.
Sandra
Sato
Ibama/Sede
FONTE: http://www.ibama.gov.br/novo_ibama/paginas/materia.php?id_arq=2360