Globalmente,
ao longo das últimas décadas, a quantidade
de água potável disponível tem diminuído
dramaticamente; a poluição das águas
mata hoje 2,2 milhões de pessoas por ano; mais
de 75 % da reserva mundial de peixes é sobre-explorada;
e o aumento no nível dos oceanos causado pelo aquecimento
global pode deslocar dezenas de milhões de pessoas.
Todas essas crises, que têm seus maiores impactos
na empobrecida população dos países
em desenvolvimento, estão entre os problemas ambientais
que coletivamente representam uma barreira significativa
à redução da pobreza.
Mas elas podem ser resolvidas se os governos nacionais
e a comunidade internacional implementarem intervenções
específicas na gestão do meio-ambiente,
promoverem mudanças estruturais e integrarem questões
ambientais a todas as políticas setoriais, de acordo
com a Força-tarefa sobre Sustentabilidade Ambiental
do Projeto Milênio das Nações Unidas.
O relatório da Força-tarefa sobre Sustentabilidade
Ambiental – Meio ambiente e bem-estar humano: uma estratégia
prática – é parte de um detalhado plano
de ação global para combater a pobreza,
as doenças e a degradação ambiental
em países em desenvolvimento. A Força-tarefa
sobre Sustentabilidade Ambiental foi encabeçada
pela Srta. Yolanda Kakabadse Navarro, presidente da União
para a Conservação do Mundo (IUCN), pelo
Dr. Jeff McNeely, Cientista Chefe, IUCN, e pelo Prof.
Don J. Melnick, Diretor Executivo e Fundador do Centro
para Pesquisa e Conservação do Meio-Ambiente
(CERC).
“Maiores esforços globais e nacionais são
necessários para a promoção de tecnologias
compatíveis com a preservação do
meio-ambiente nos setores de energia, transportes, gestão
da água e agricultura”, diz o relatório.
“Investimentos públicos diretos em pesquisa devem
ser aumentados substancialmente”.
As recomendações da Força-tarefa
para melhorar a gestão ambiental incluem:
• Reduzir o impacto ambiental adverso da agricultura buscando
técnicas de cultivo sustentáveis, restaurando
terras esgotadas e protegendo o habitat natural ao redor
das áreas de cultivo.
• Reduzir a destruição de florestas via
o incentivo ao exercício legítimo de atividades
geradoras de renda que dependam da manutenção
de florestas saudáveis. Isto pode ser feito em
parte orientando o espírito empreendedor daqueles
que cultivam produtos agrícolas – incluindo madeireiros,
escultores em madeiras e povos coletores e caçadores
– na direção de práticas sustentáveis,
mas também lucrativas.
• Aproveitar os recursos de água limpa por meio
do foco no uso mais eficiente da água na agricultura,
fixando e fazendo cumprir metas de redução
da poluição para lençóis freáticos
e águas de superfície, estabelecendo níveis
adequados para o nível e o fluxo dos rios, e controlando
espécies invasoras.
• Prevenir o colapso da pesca marinha por meio de sistemas
de gerenciamento apoiados em pesquisa e desenvolvimento,
em comum acordo com pescadores locais, e através
do estabelecimento de uma rede de reservas marinhas protegidas.
• Tratar dos problemas de saúde causados pelas
poluições do ar e da água por meio
de iniciativas que reduzam a exposição a
produtos químicos tóxicos, com foco nos
níveis atmosféricos de monóxido de
carbono, chumbo, dióxido de nitrogênio, substâncias
particuladas, dióxido de enxofre, ozônio
e metano.
• Combater mudanças climáticas, adotando
a meta de estabilizar as concentrações de
gás que contribuem para o efeito-estufa na atmosfera
em valores equivalentes a 450-550 ppm de dióxido
de carbono. Uma prioridade chave deve ser o investimento
em tecnologias ambientalmente sustentáveis e eficientes
em relação ao custo, nos setores de energia
e transportes.
Mudanças estruturais nas instituições
e nas políticas que guiam os esforços de
gestão ambiental devem incluir:
• Fortalecimento das instituições e da governança:
Especialistas em meio-ambiente devem ser recrutados e
treinados, e agências que lidam com questões
ambientais devem ser adequadamente financiadas.
• Correção das falhas e distorções
de mercado: Por exemplo, pode-se prover pagamentos a atividades
que melhorem o ecossistema, subsídios que incentivem
atividades ambientalmente nocivas podem ser eliminados,
e regulações de comércio que promovam
práticas legais e sustentáveis, como o reflorestamento
sustentável, podem ser desenvolvidas.
• Melhorar o acesso e o uso do conhecimento científico
e tecnológico: Países pobres precisam de
melhores ferramentas científicas e tecnológicas
que lhes permitam basear suas ações num
entendimento das condições existentes. Além
disso, o financiamento público, acordos de compra
e outros mecanismos podem ser utilizados para promover
o desenvolvimento de inovações ambientalmente
benéficas.
A Força-tarefa considerou a importância da
sustentabilidade ambiental para que sejam alcançados
os compromissos firmados em 2000 durante a Cúpula
do Milênio, na qual líderes mundiais concordaram
em tornar a luta contra a pobreza – e todas suas facetas
– sua prioridade em países em desenvolvimento.
A cúpula inspirou os Objetivos de Desenvolvimento
do Milênio, os quais foram construídos a
partir do reconhecimento de que, da saúde ao meio-ambiente,
da educação à igualdade entre sexos,
uma lista cada vez maior de questões de desenvolvimento
não pode mais ser administrada exclusivamente dentro
das fronteiras de uma única nação.
A Força-tarefa sobre Sustentabilidade Ambiental
é parte do Projeto do Milênio das Nações
Unidas, o qual foi comissionado pelo Secretário-Geral
da ONU em 2002 para desenvolver um plano de ação
prático que habilite os países em desenvolvimento
a alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio
e a reverter o massacre da pobreza, da fome e das doenças
que atinge bilhões de pessoas. Sob a forma de um
órgão consultivo independente dirigido pelo
Professor Jeffrey D. Sachs, o Projeto Milênio das
Nações Unidas encaminhou suas recomendações
finais em Janeiro de 2005.
A Força-tarefa sobre Sustentabilidade Ambiental
é uma das uma das 10 Forças-tarefa do Projeto
Milênio das Nações Unidas, que juntas
congregam 265 especialistas de todo o mundo, incluindo
parlamentares; pesquisadores e cientistas; formuladores
de políticas públicas; representantes da
sociedade civil; agências da ONU; o Banco Mundial;
o Fundo Monetário Internacional e o setor privado.
As equipes das Forças-tarefas do Projeto Milênio
das Nações Unidas foram desafiadas a diagnosticar
os principais impedimentos ao alcance dos Objetivos de
Desenvolvimento do Milênio e a apresentar recomendações
de como superar os obstáculos, colocando as nações
no caminho certo para atingir as metas até 2015.
FONTE:
http://www.pnud.org.br/milenio/ft9.php