A
extração de óleos vegetais com etanol
(álcool etílico, de cana) poderá
ser uma opção para simplificar a produção
de biodiesel. A técnica, estudada há 20
anos na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz
(Esalq), da USP em Piracicaba, foi retomada por pesquisadores
coordenados pela professora Marisa Regitano d'Arce. O
objetivo é obter uma mistura de óleo vegetal
e etanol para ser convertida em biodiesel apenas com o
uso de um catalisador, sem adicionar mais álcool.
Marisa
explica que a extração do óleo vegetal
nas indústrias é feita com hexano, um derivado
do petróleo. 'Apesar do alto rendimento, o hexano
consumido no País é importado e, durante
a extração, ele precisa ser recuperado por
destilação, viabilizando seu uso apenas
em grande escala', ressalta. 'A extração
por prensagem com álcool, criada nos anos 30 na
Manchúria (China), é uma alternativa válida
para grãos oleaginosos ricos em óleo.'
A
professora aponta que após a extração,
óleo vegetal e álcool são misturados
para formar o biodiesel. 'O combustível é
produzido por uma reação característica
de transesterificação entre o etanol e o
óleo vegetal, acelerada por um catalisador', explica
Marisa. Os pesquisadores do Departamento de Agroindústria,
Alimentos e Nutrição da Esalq buscam uma
mistura de óleo vegetal e etanol (miscela) que
não precise de mais álcool para gerar o
biodiesel.
Mamona
O grupo da Esalq, que sedia o Pólo Nacional de
Biocombustíveis, pesquisa também o uso de
diversas espécies vegetais no biodiesel e sua adequação
aos padrões da ANP (Agência Nacional de Petróleo).
'A mamona se destaca porque a extração do
óleo com etanol pode ser feita sem necessidade
de aquecimento, o que barateia o processo', diz Roseli
Aparecida Ferrari, professora da Universidade Estadual
de Ponta Grossa (UEPG), no Paraná, e aluna de pós-doutoramento
na USP.
O
aproveitamento dos resíduos sólidos da extração
de óleos também é estudado, observa
Roseli, para a produção de alimentos, ração
animal e para evitar riscos à saúde com
sua manipulação. 'No caso da mamona, a extração
com etanol gera um resíduo totalmente sem o óleo,
o qual possui efeito laxante', relata. 'O produto sólido
desengordurado, conhecido como farelo, possui substâncias
alergênicas e toxinas que precisam ser inativadas.'
Entre
as plantas analisadas para uso no biodisel estão
o milho, girassol, amendoim, algodão, canola, mamona,
babaçu, palma e macaúba. 'A semente de nogueira-de-iguape,
árvore usada para reflorestamento, apresentou um
rendimento de 65% de óleo, superior ao da manona,
que é de 50% aproximadamente', afirma Roseli Ferrari.
A
professora Marisa espera que as mudanças na extração
de óleo para biodiesel possam ser aplicadas em
grande escala em curto espaço de tempo. 'A previsão
é que em um ano consigam-se resultados satisfatórios
nos testes de laboratório', diz.
Júlio
Bernardes - Agência USP
FONTE:
http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/lenoticia.asp?id=63289