Diadema ganha borboletário


Por Ana Machado

A Secretaria Municipal do Meio Ambiente inaugurou no dia 16 de setembro, o Borboletário Tropical Conservacionista Laerte Brittes de Oliveira, o primeiro na região metropolitana de São Paulo. Situado dentro do Jardim Botânico de Diadema, ele será aberto a visitação pública, com visitas monitoradas e agendadas previamente na secretaria.

Mas o que é um borboletário? Conforme explica o secretário de Meio Ambiente, Marco Antonio Mroz, o borboletário é uma forma de reproduzir tudo que há na natureza para a sobrevivência das borboletas, dentro de um ambiente fechado. "É necessário identificar as espécies e saber de tudo o que ela necessita para o seu ciclo de vida e reproduzir isso dentro do borboletário", diz. Com a vantagem que no borboletário elas não terão os predadores e contarão com um ambiente climatizado, tornando mais viável todo o ciclo de reprodução.

Com todos os cuidados, o índice de reprodução dos ovos, da sobrevivência das lagartas e da eclosão das pupas é muito maior em um borboletário, com taxas que podem chegar até 80%, do que na natureza, que vão de 3 a 7%. A homologação para o funcionamento do borboletário, feita pelo Ibama, prevê a devolução de uma parte da produção de borboletas para a natureza. Com isso serão introduzidas na Mata do Jardim Botânico cerca de 20% das borboletas que nascerem.

A primeira coisa que a Secretaria do Meio Ambiente fez foi um levantamento das espécies que existiam na região, constatando-se a existência de 14. A partir do estudo foram escolhidas para o borboletário de Diadema cinco espécies que possuíam plenas condições de se adaptar ao ambiente externo e com as outras espécies que elas iriam se relacionar.

Segundo o secretário Marco Antonio, o objetivo do borboletário é contribuir para a preservação das espécies e com a diversidade que se perdeu devido a grande urbanização da região metropolitana sobre a Mata Atlântica. Outro objetivo é a educação ambiental que vai sensibilizar as pessoas, particularmente as crianças. "Elas terão a possibilidade concreta de conhecer como funciona a natureza e o fato de ser a borboleta um bicho tão fascinante, você sensibiliza as crianças para a questão ambiental", reforça o secretário.

Duplamente emocionada, tanto pelo homenagem feita ao pai, que deu o nome ao borboletário, como por conhecer o espaço, a menina Beatriz Brittes, 11 anos, que cursa a 5ª série, diz que achou o local muito bonito, bem organizado e colorido. "É muito difícil de ver borboletas desse tipo por aí e estou gostando dessa oportunidade", disse. O garoto Murilo Cobucci da Silva, 10 anos, 4ª série, que também compareceu à inauguração, acha que no borboletário as pessoas vão aprender e terão mais respeito com a natureza. "Os monitores explicaram tudo, sobre todas as fases das borboletas e sobre as espécies", exemplificou.

O prefeito José de Filippi Júnior destacou na inauguração a importância do espaço para a educação ambiental. "Nossas crianças terão a oportunidade que nós não tivemos de aprender sobre o meio ambiente e nossa cidade estará mais preparada para o futuro".

Borboletário

Acondicionamento de pupas (casulos)
A produção do borboletário inicia com 500 borboletas, de cinco espécies : Dryas Iulia (Julia); Agraulis Vanilae (Pingo de Prata); Caligo Illioneus (Olho de Coruja) Ascia buniae (Ascia) e Anteos Menippe. As instalações compreendem um viveiro de 187,20 m², onde ficarão as borboletas e um berçário de 10,80 m² para onde serão levados os ovos, criadas as lagartas, ou larvas e onde acontecerá a eclosão das pupas, também chamadas de crisálidas ou casulos.

O viveiro possui telas de proteção, fonte de água e cerca de 30 espécies de plantas em seu interior, que fornecerão abrigo, alimento e local para deposição dos ovos. O borboletário é climatizado com umidificadores no viveiro e uma temperatura entre 25 a 28% no bercário. As borboletas terão a disposição frutas e um néctar baseado em uma mistura de água e mel disposta em bebedouros de beija-flor, além do néctar que elas mesmas extrairão das flores.

Os lepdópteros (borboletas) desempenham um papel muito importante na natureza para a perpetuação das espécies, por ajudarem na polinização das plantas. Conforme explica o estagiário de biologia, Sandro Eduardo, que trabalhou para a implantação do borboletário, ao pousar nas flores para sugar o néctar, as borboletas levam o pólen de uma planta fêmea para uma macho e vice-versa, contribuindo para a reprodução e mutação das plantas.

Inauguração

Durante o evento de inauguração, compareceram 112 pessoas, que puderam conhecer o borboletário, as trilhas e as instalações do Jardim Botânico.
Nas trilhas, foram realizadas 20 monitorias por 7 monitores, durante as três horas de inauguração.

Revitalização

O borboletário integra um conjunto de medidas para a revitalização do Jardim Botânico: reforma das estufas, readequação do orquidário e criação do jardim das bromélias, aumento na produção de mudas, sala própria para o Programa de Educação Ambiental, dentre outras ações.
O Jardim Botânico é uma área de vegetação em estágio inicial de regeneração e trechos de mata nativa; onde se destacam árvores de importância ambiental como Pau-Brasil, Paineira, Jacarandá, Palmito Juçara, Angico, Urucum e Jatobá. Possui ainda espécies exóticas como Plátanos, Magnólia e diversas espécies de Palmeiras. Possui viveiro para o cultivo de cerca de 200 espécies de plantas para paisagismo.

O Patrono

Laerte Brittes de Oliveira nasceu em 1960 e faleceu este ano, no dia 8 de maio. Formou-se em geografia, era pós graduado e estava para iniciar o mestrado. Ingressou na Prefeitura de Diadema em 1983, e começou a trabalhar com as questões do meio ambiente desde a criação desse setor, em 1994.

Atuou na fiscalização ambiental do município e como educador ambiental no PROESA - Programa de Educação em Saneamento Ambiental. Um dia antes de sua morte, Laerte participou de um seminário na Fundação Florestan Fernandes, realizado para o lançamento de cursos de capacitação técnica para lideranças comunitárias e educadores da rede municipal, sobre uso adequado dos recursos naturais, a conscientização sobre a importância das áreas de mananciais e políticas de preservação. Laerte estava organizando os cursos e seria também um de seus professores.

Fonte:
http://www.diadema.sp.gov.br/csp/diadema/reportagem.csp?


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