A
eterna luta contra o desmatamento começa a ter
um novo rumo com a decisão histórica do
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama) em retomar a discussão
do reflorestamento no Pará com a criação
de programa de recuperação de áreas
alteradas ou degradadas com incentivo ao reflorestamento
(florestas plantadas), em especial em Área de Reserva
Legal (ARL).
A meta do Ibama é reflorestar cerca de 1,8 milhões
de hectares ao longo de seis anos do programa. No primeiro
estágio a meta será de 200 mil hectares.
Segundo Marcílio Monteiro, gerente executivo do
órgão a idéia é transformar
o Arco do Desflorestamento (*) em Arco do Reflorestamento
na busca do equilíbrio entre desmatamento e plantio
no Arco onde tem se concrentado 70% do desmatamento (*)
nos últimos cinco anos nas regiões nordeste,
sudeste e sul do Pará. (Ver Box).
O tema do reflorestamento será alvo de Seminário,
promovido pelo Ibama, Sectam e a Prefeitura Municipal,
que ocorrerá nos dias 27 e 28 em Paragominas, região
nordeste do estado. O evento será o marco histórico
de políticas públicas voltadas para a conservação
do ambiente e pretende debater a questão a portaria
do Ibama e o decreto estadual e sugerir critérios
técnicos para viabilizar a implantação
do programa de reflorestamento.
A Gerência do Ibama colocará em discussão
proposta debatida pela Câmara Técnica de
Florestas para definir recomposição de área
de reserva legal com base no Código Florestal (Artigos
12 e 16 ), na MP 2166/01 que dispõe sobre a utilização
do 80% da reserva legal para fins de reflorestamento;
na regularização fundiária (reflorestamento
e planos de manejo) e no acesso ao crédito e incentivos
fiscais.
O Pará possui 18 milhões de hectares (180
mil quilômetros quadrados) de áreas alteradas/degradadas
potencialmente aptas para o uso produtivo. Existem cerca
de 200 mil hectares de florestas plantadas no Estado do
Pará. Estudos da Embrapa realizado sobre projetos
de reflorestamento registrados no Ibama/Pará indicaram
que 75% deles foram estabelecidos em áreas degradadas
pela pecuária extensiva e agricultura itinerante.
A pecuária ainda é a grande responsável
pelo desmatamento com participação em 80%.
Mas de vinte milhões de cabeças de gado
contribuem para degradação de grandes áreas.
No setor agrícola são mais de 500 mil pequenos
agricultores ainda utilizam o fogo no preparo da roça
em áreas primitivas. O fogo é também
usado para fins de grilagem de terras entre outros motivos.
BOX
O chamado Arco de Desflorestamento refere-se a uma faixa
contínua de cerca de três mil quilômetros
de extensão, com variação de largura
de até 600km, que vai do Nordeste do Pará,
passando pelo Sudoeste do Maranhão, prosseguindo
pelo Noroeste do Tocantins, Sul do Pará, Norte
de Mato Grosso, Oeste de Rondônia, Sul do Amazonas
até atingir o Leste do estado do Acre. Dados do
Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) indicam
que foram desmatados cerca de 25 mil quilômetros
quadrados (2001-2002).
Estes dados somados a área cumulativa desmatada
na região corresponde a 15,7% de toda a floresta
amazônica brasileira. A maior parte do desmatamento
na região tem se concrentrado ao longo do Arco
de Desflorestamento. Em 2000/2002, cerca de 70% do desmatamento
na Amazônia Legal ocorreram em cerca de 60 municípios
nos estrados do Pará, Mato Grosso e Rondônia
e desses municípios 44 estão no Pará.
Entre 2004-2005 as estatísticas do Inpe demonstraram
decréscimo para 18 mil quilômetros quadrados
de área desmatada, ou seja em torno de 31% em relação
a 2003-2004. Praticamente todos os países civilizados
do mundo alcançaram a compreensão de que
há um ponto além do qual o avanço
do desflorestamento se converte em fator negativo para
o progresso, mesmo independentemente da densidade demográfica
respectiva.Os ensinamentos dos países mais antigos
encontraram ecos também naqueles que ainda dispõem
de florestas em abundância. Dessa forma, praticamente
em todo mundo civilizado, surgiu uma nova força
econômica - uma apreciação generalizada
do valor das florestas e um movimento no sentido da introdução
de uma administração racional dos recursos
florestais.
É alarmante a diminuição de nossas
reservas florestais, donde as grandes estiagens ou seca
que flagela muitas regiões. A destruição
das matas traz três conseqüências graves,
como; Aridez do solo, pelo transporte do húmus(
matéria orgânica ); Secas; Enchentes. Áreas
florestais são eliminadas para o cultivo de alimentos.
Grandes extensões de terras têm sido devastadas
para implantação de monoculturas e para
construção de rodovias e ferrovias. A eliminação
das florestas é a causa da formação
de torrentes, de erosões, quedas de barreiras,
inundações e uma alteração
generalizada do regime natural das águas. Alterações
climáticas, e, como a industrialização,
há uma poluição maior do ar e das
águas, o que vem afetar o estado físico
das populações. É o principal fator
de poluição do solo, causa desequilíbrio
hidrogeológicos, pois em resultados dele a terra
deixa de reter as águas pluviais. As madeiras das
árvores florestais têm sido usadas como lenha
ou carvão e na fabricação de móveis,
construção de casas, fabricação
de papel, entre outros produtos florestais. Além
de recursos vegetais, das florestas são retirados
também recursos animais como, por exemplo, o mel
das abelhas e uma grande quantidade de animais, mortos
por caçadores. O desmatamento seguido de plantio,
mesmo que seja de capim, tem sido utilizado para garantir
a posse da terra.
Esse sistema é uma maneira fácil de capturar
uma área extensa e vem sendo usado por posseiros
e grileiros. Assim, mesmo regiões onde vivem pequenas
populações sofrem a perda de grandes áreas
florestais. (FONTE ANBIO)
Edson Gillet Brasil
Ibama/PA
FONTE: http://www.ibama.gov.br/novo_ibama/paginas/materia.php?id_arq=3556