Um
tratado global proposto nesta semana para combater a poluição
com mercúrio foi rejeitado em uma conferência
do Programa da ONU para o Meio Ambiente em Nairóbi,
a capital do Quênia.
A União Européia disse que o acordo é
necessário para diminuir o uso de metais pesados
tóxicos, que causam danos neurológicos e
também problemas a fetos.
Mas, em vez do acordo, no encontro do conselho do Programa
da ONU para o Meio Ambiente (Unep, na sigla em inglês)
foi aprovado um sistema de "parcerias voluntárias".
A idéia foi proposta pelos Estados Unidos, que
disseram que as parcerias ajudariam a combater o problema.
Parcerias
O sistema de parcerias voluntárias inclui países
ricos como doadores, países pobres com problemas
ligados ao mercúrio, organismos como a Unep e o
Banco Mundial e e indústrias.
"Nós conseguimos convencer a União
Européia, a Noruega e a Suíça de
que precisamos de uma ação imediata",
disse à BBC a chefe da delegação
dos Estados Unidos, a vice-secretária-assistente
para Meio Ambiente, Claudia McMurray.
"Podemos começar rapidamente, enquanto um
tratado poderia demorar anos. Mas nós vamos voltar
a falar sobre isso daqui a algum tempo", afirmou.
Para grupos ambientalistas, essa não é a
única razão pela qual os Estados Unidos
se opuseram a um acordo global.
"O governo americano vai finalizar novas regulações
sobre suas próprias usinas de energia no próximo
mês", disse à BBC Felice Stadler, diretora
do Projeto de Política para o Mercúrio,
baseado nos Estados Unidos.
Usinas
de energia movidas a carvão são a maior
fonte de mercúrio dentro dos Estados Unidos, respondendo
por cerca de 40% da produção americana.
"Eles estão basicamente reescrevendo trechos
da Lei do Ar Limpo", afirmou Stadler.
Essa interpretação recebeu a confirmação
de uma fonte dentro da Agência de Proteção
Ambiental do governo americano.
A fonte disse à BBC que os chefes da agência
querem evitar regulações internacionais
de efeito obrigatório, porque ela restringiria
a possibilidade de regulamentar as emissões de
mercúrio dos Estados Unidos.
McMurray rejeitou a idéia de que as questões
domésticas americanas estejam ditando a posição
internacional.
"Os Estados Unidos estão fazendo história.
Eles nunca regularam emissões de mercúrio
de usinas de energia antes, assim como nenhum outro país
desenvolvido", disse.
O apoio europeu a um tratado global é uma extensão
da posição que o continente adotou recentemente
sobre sua própria produção de mercúrio.
No fim de janeiro, a Comissão Européia lançou
a "Estratégia do Mercúrio", com
o objetivo de reduzir o uso e a produção
do metal.
Tóxico
A estratégia inclui a eliminação
da exportação de mercúrio por países
da União Européia até 2011 e a proibição
da comercialização de equipamentos que contenham
mercúrio - tais como termômetros -, com algumas
exceções.
Também está incluída nessa estratégia
a eliminação do uso de mercúrio na
indústria que converte sal e água em cloro
e soda cáustica.
Ao explicar as razões por trás da estratégia,
a comissão disse que "o mercúrio e
seus componentes são altamente tóxicos para
seres humanos e para o meio ambiente".
FONTE: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2005/02/050225_mercuriodtl.shtml