Ulsan,
Coréia do Sul, 24/6/2005 - A 57ª Reunião
Anual da Comissão Internacional da Baleia encerrou
hoje pela manhã sua agenda sem que os países
baleeiros - Japão, Noruega e Islândia - tenham
conseguido aprovar sequer uma de suas propostas para a
reabertura da caça à baleia em larga escala.
Mesmo tendo "comprado" mais uma leva de países
pobres e pequenos, que recebem ajuda financeira direta
para apoiá-lo incondicionalmente, o Japão
não conseguiu derrubar a moratória, obter
concessões de cotas de caça para suas indústrias
baleeiras costeiras, ou acelerar a negociação
para a adoção de um novo sistema de manejo
da caça. Os países pró-conservação,
nos quais o Brasil se insere, mantiveram a maioria simples,
postergando por mais um ano a discussão sobre a
reabertura ou não da matança de baleias
em larga escala.
O Brasil, que teve mais uma vez a maioria dos países
da CIB a favor da criação do Santuário
de Baleias no Atlântico Sul (cuja adoção
final precisa de ¾ dos votos da CIB, e é
impedida pela minoria de países pró-Japão),
sai fortalecido da reunião juntamente com a Argentina
e o Chile, deixando clara a existência de um bloco
conservacionista muito forte no hemisfério Sul,
do qual também fazem parte África do Sul,
Austrália e Nova Zelândia. Esse bloco trabalhou
fortemente na CIB este ano para que o tema do uso não-letal
das baleias, através do ecoturismo, pesquisa e
valorização sócio-cultural, seja
colocado na agenda de negociação da Comissão.
Segundo o Coordenador do Projeto Baleia Franca e integrante
da delegação oficial brasileira à
CIB, José Truda, "é inadmissível
que se fale em retomar a caça da baleia de forma
global em detrimento do uso não-letal que muitos
países estão fazendo com grande benefício
econômico. Seria uma agressão direta aos
nossos direitos." Truda salientou que nenhum país
do Hemisfério Sul caça baleias desde os
anos 80, e que permitir a volta das frotas baleeiras japonesas
de caça comercial está fora de cogitação.
O Japão também foi duramente criticado na
CIB pela continuidade da sua caça "científica"
na Antártida, objeto de uma resolução
aprovada pela plenária exigindo a cessação
imediata da prática. O Japão anunciou que
pretende seguir com a matança, mas analistas em
Ulsan acham que a Austrália e outros países,
a partir da condenação vigorosa da prática
havida este ano, poderá ingressar na Corte Internacional
de Justiça contra a prática, que a delegação
brasileira á CIB classificou de "caça
política" destinada a provocar os países
conservacionistas e a CIB para forçar um acordo
de volta da caça comercial sem restrições.
A próxima reunião da Comissão será
na ilha caribenha de St. Kitts & Nevis, em maio de
2006
FONTE:
http://www.ibama.gov.br/novo_ibama/paginas/materia.php?id_arq=2872