Kátia
de Lima Nechet*
Como todos devem ter visto em noticiários ou lido
em revistas especializadas, a cultura da soja sofreu perdas
de produtividade devido ao ataque da ferrugem “asiática”
da soja. Esta doença é causada por um fungo
denominado Phakopsora pachyrhizi. O fungo é originado
da China e foi constatado pela primeira vez no continente
americano no Paraguai em 2001 e meses depois no Brasil,
no oeste do Paraná. Desde então, sua expansão
pelas lavouras de soja foi rápida e as perdas são
estimadas em 8,5 milhões de toneladas de grãos
no período de 2001 a 2004. É fato que a
doença está disseminada em toda a América
do Sul e em 2004 foi notificada em Lousiania nos Estados
Unidos. E Roraima?
Roraima é o único local do Brasil onde se
planta soja e não foi constatada até a safra
de 2004, a ocorrência da ferrugem “asiática”.
Entre os fatores que contribuem para este fato está
a época de plantio diferenciada do restante do
País e correntes de vento, sentido sul-norte, com
direção, condições de pressão
e temperatura não-favoráveis à sobrevivência
e disseminação do fungo. Isso é importante
porque o fungo é um parasita obrigatório,
ou seja, precisa de um hospedeiro para sobreviver e sua
disseminação a longas distâncias é
feita pelo vento. Mas a disseminação de
doenças de um local para outro não é
feita só de forma natural, o próprio homem
pode ser um agente disseminador e transportar o fungo
por acaso ou intencionalmente.
Em função da importância da doença
foi criado pelo Ministério da Agricultura Pecuária
e Abastecimento o “Consórcio Anti-Ferrugem” que
envolve 49 instituições de várias
regiões do País. Participam a Embrapa, universidades,
fundações, secretarias de agricultura, órgãos
de assistência técnica e extensão
rural, cooperativas e conta com apoio da Associação
Nacional de Defesa Vegetal (Andef), Associação
Brasileira de Defensivos Genéricos (AENDA) e empresas
do ramo.
O objetivo do “Consórcio Anti-Ferrugem” é
treinar produtores e técnicos para diagnosticar
e fazer o monitoramento da doença no País.
Para isso, conta com o Sistema de Alerta no site www.cnpso.embrapa/alerta
. Também objetiva a recomendação
de controle e divulgação de resultados de
pesquisa.
Embora Roraima não tenha a ferrugem “asiática”
da soja, a Embrapa Roraima participa do “Consórcio
Anti-Ferrugem” e disponibiliza materiais informativos
sobre a doença. Outra ação complementar
foi um folder escrito pelos fitopatologistas da Embrapa
Roraima em parceria com o Coordenador da Comissão
de Defesa Sanitária Vegetal em Roraima (CDSV/RR),
que orienta como evitar a entrada de forma não
natural da doença no estado. Todos estes materiais
são distribuídos em ocasiões oportunas
e podem ser adquiridos na Área de Comunicação
e Negócios da Embrapa Roraima.
É importante que produtores e técnicos tenham
estas informações e saibam identificar os
sintomas e o que fazer em caso de suspeita do aparecimento
da doença. Nesta safra de 2005 é fundamental
o monitoramento das lavouras, que deve ser iniciado a
partir da emergência e intensificado próximo
da fase de floração.
Os primeiros sintomas da doença iniciam no terço
inferior e mediano da planta e são pequenos pontos
escurecidos, de no máximo 1 mm de diâmetro.
Para facilitar a visualização deve-se observar
a folha contra a luz. Na parte de baixo da folha com o
auxílio de uma lupa de 10x a 30x de aumento podem
ser observadas pequenas protuberâncias, parecendo
bolhas que são as estruturas de reprodução
do fungo, chamadas de urédias. Em caso de dúvida,
coloque as folhas com suspeita da doença em um
saco plástico com um chumaço de algodão
molhado, sopre um pouco de ar para dentro e feche o saco.
Deixe o saco em temperatura ambiente por 12 a 24 horas.
Neste intervalo o fungo irá produzir esporos, o
que tornará mais visível a sua estrutura
e confirmará o diagnóstico da doença.
Outras doenças podem ser confundidas com a ferrugem,
por isso é importante a confirmação
por pessoas capacitadas antes da divulgação
de notícias sobre a doença em Roraima. Os
técnicos da extensão em Roraima foram treinados
por especialista em doença de soja para diagnosticar
corretamente a ferrugem “asiática”.
Com o conhecimento adequado, monitoramento constante e
cooperação de produtores, assistência
técnica, pesquisa e técnicos da defesa vegetal
podemos manter por tempo prolongado a cultura da soja
em Roraima livre da ferrugem “asiática”. Isto é
uma responsabilidade de todos nós.
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Pesquisadora da Embrapa Roraima
Doutora em Fitopatologia (doenças de plantas)
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Embrapa Roraima
Jornalista: Síglia Regina (Mtb 066-AM)
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FONTE:
Embrapa Roraima