Brasil responde questionamentos sobre proibição de importação de pneus usados


O Brasil participou na semana passada em Genebra, da fase de consultas que antecedem o contencioso que o país enfrentará contra a União Européia (UE) no Tribunal Arbitral da Organização Mundial de Comércio (OMC) sobre a proibição à entrada de pneus usados no mercado nacional.

A reunião prévia ao contencioso é uma tentativa de resolver a questão sem a necessidade de intervenção do Tribunal. Nessa etapa a UE ouviu as explicações dos motivos ambientais, legais, econômicos e de saúde que o Brasil alega para a proibição. Porém, para os europeus, as verdadeiras motivações nacionais continuam sendo econômicas e o Brasil terá que provar o contrário no Tribunal da OMC.

Segundo Márcio Freitas, Coordenador de Qualidade Ambiental do Ibama, a reunião correu em clima cordial e dentro do que se previa. “Fizemos, na verdade, uma defesa das nossas razões, uma explanação de quais são as razões que levam o Brasil a proibir a entrada de pneus usados no país. O Brasil não irá retroceder, pois a postura do governo brasileiro é em defesa do meio ambiente do país, entendendo que cada Estado deve ser soberano para resolver seus problemas de resíduos”.

A UE tem agora mais 30 dias para fazer novos questionamentos sobre a proibição. Esgotado este prazo, o Tribunal Arbitral entra em ação. Nessa fase o Itamaraty fará a defesa do país perante o tribunal, que decidirá o futuro da questão.

Caso o Brasil vença, a UE terá que enfrentar um problema e tanto. A partir de 2006 o descarte de pneus em aterros está proibido na Europa e eles terão que dar uma destinação adequada a cerca de 80 milhões de pneus usados que são gerados por ano.

Na verdade, a abertura do mercado brasileiro para exportação de seus pneus usados seria a solução desse problema, pois a prática da exportação desse tipo de material para países em desenvolvimento é uma possibilidade que os países desenvolvidos encontraram de se livrar de seus passivos ambientais. Depois de exportadas, as carcaças de pneus passam a ser um problema do país que as recebeu.

Telma Peixoto
Ascom/Sede


FONTE:
http://www.ibama.gov.br/novo_ibama/paginas/materia.php?id_arq=2992


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