Vegetação
em área de preservação foi suprimida
para dar lugar a
reflorestamento na serra
Luiz
Augusto Especial para A Notícia
Urupema Uma denuncia anônima levou os fiscais do
Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) a flagrar
crime ambiental na serra catarinense. Numa área
de aproximadamente 10 hectares, na localidade de Rio dos
Touros, no município de Urupema, pertencente a
Amarildo Gaio, os fiscais encontraram corte de vegetação
em área de preservação permanente
(APP), destruição da vegetação
no entorno de duas nascentes de água - em uma havia
a tentativa de drenagem das águas -, queimada de
campo nativo e corte de mata em estágio médio
e avançado de regeneração.
De acordo com o chefe de fiscalização do
Ibama em Santa Catarina, Marcelo Kammers, o terreno estava
sendo preparado para receber o plantio de pinus eliotis
e toda a área foi embargada. Um trator esteira
que era utilizado para abrir uma estrada, que danificou
um curso de água, também foi apreendido.
"Comprometeram todo um ecossistema de campo nativo,
com queimadas e corte de vegetação, para
proporcionar o plantio de pinus", resumiu Kammers,
lembrando que em todo o Estado existem apenas cerca de
0,2% da área original de campo nativo, ainda sem
alterações pela ação do homem.
Segundo Kammers as irregularidades incluem ainda a utilização
de veneno para matar formigas em áreas próximas
a cursos de água, contaminando-os. "Notificamos
o proprietário da área a comparecer na terça-feira
no escritório do Ibama de Florianópolis
para apresentar a documentação da área",
explicou o chefe de fiscalização do Ibama.
Para cada hectare de campo nativo que ficar comprovada
a queimada sem autorização a multa é
de R$ 1,5 mil. Já para o corte de vegetação
nas APPs, a multa pode chegar até a R$ 50 mil por
hectare. "Ainda estamos contabilizando o total da
área atingida e que deve ser de cerca de 10 hectares
entre queimadas e APPs", disse Kammers.
Com o flagrante de ontem, sobe para mais de 1.650 o número
de autos de infrações lavrados este ano
pelo Ibama no Estado - em todo o ano passado foram 1,8
mil. As multas aplicadas somam mais de R$ 30 milhões
somente este ano.
Fatma emitiu licença para corte
A área onde foram encontradas as irregularidades
ontem pertence ao agrônomo e secretário-adjunto
da Secretaria de Desenvolvimento Regional de São
Joaquim, Amarildo Gaio. Em viagem de férias no
Mato Grosso, ele não foi encontrado pela reportagem
de A Notícia. Mas sua mulher, Edna Gaio, disse
que existe uma licença expedida pela Fundação
de Amparo e Tecnologia do Meio Ambiente (Fatma), para
o reflorestamento de pinus na área. "Estamos
autorizados pela Fatma a plantar pinus naquela área.
Em relação ao uso de queimadas para limpeza
do campo, não posso adiantar nada uma vez que contratamos
uma empresa para realizar o plantio das árvores",
defendeu-se Edna.
Segundo o gerente regional da Fatma em Lages, Cosme Polesi,
por se tratar de uma área com tamanho inferior
a 50 hectares, a Fatma obedecendo ao que diz uma resolução
do Conselho Estadual do Meio Ambiente (Consema), expediu
uma declaração que dispensa o proprietário
do imóvel a pedir o licenciamento ambiental. "A
informação que tenho é de que não
haveria corte de vegetação e apenas a retificação
de uma antiga estrada da propriedade", justificou
Polesi. (LA)
Fonte:
http://an.uol.com.br/2005/ago/26/0ger.htm