País
possui normas próprias e mais restritivas quanto
ao nível de resíduos de praguicidas nos
alimentos por não ter pesquisas atualizadas e abrangentes
sobre o tema, revela pesquisa da FCF.
O
Brasil usa normas conservadoras ao avaliar o risco, para
a população, dos resíduos de praguicidas
nos alimentos, baseadas em dados de orçamentos
familiares do IBGE de 1998. Na Faculdade de Ciências
Farmacêuticas (FCF) da USP, um estudo que comparou
os critérios brasileiros com os dos EUA, Reino
Unido e os da Comissão do Codex Alimnetarius, entidade
ligada a Organização das Nações
Unidas, na avaliação do risco de resíduos
de praguicidas, recomenda a implementação
de um banco de dados atualizado.
De
acordo com a farmacêutica Regiane Guimarães
Landi Pereira, autora da pesquisa de mestrado, por não
ter uma ampla pesquisa, específica e atualizada
sobre o consumo, os resultados estão distantes
da realidade. "Considera-se um valor acima da média
real de consumo, o que dificulta as medidas de gerenciamento",
explica.
O
governo determina um nível de segurança
para a aplicação dessas substâncias
químicas, que podem deixar resíduos nos
alimentos e serem absorvidos pelo corpo humano. Essa absorção
depende dos produtos, dos instrumentos de uso e das plantas
que serão cultivadas. Segundo Regiane Guimarães
Landi Pereira, "as normas rígidas adotadas
para a autorização de praguicidas no País,
podem levar a carência de produtos disponíveis
para o controle de pragas e doenças, prejudicando
os agricultores".
Também
há uma deficiência de dados sobre o consumo
de grupos como idosos e crianças. A pesquisa do
IBGE foi feita com os habitantes de 11 regiões
metropolitanas, que representavam, na época, cerca
de 30% da população do País. "Se
não sabemos ao certo quais produtos e em que quantidades
são consumidos pelos brasileiros, como estimar
de maneira adequada os limites de resíduos considerados
seguros à saúde da população
e para que os agricultores tenham opções
de tratamento em suas lavouras ?", questiona Regiane.
Legislação
nacional
Ao contrário de alguns países, o Brasil
tem suas próprias normas na regulamentação
dos praguicidas. Mas, para evitar questionamentos a esse
respeito, a pesquisadora defende que o país siga
o códex da FAO (Organização das Nações
Unidas para a Agricultura e Alimentação),
que é reconhecido pela Organização
Mundial do Comércio (OMC). A aprovação
para uso e comercialização dessas substâncias
passa pelo Ministério da Agricultura, pela Anvisa
(Agência Nacional de Vigilância Sanitária)
e pelo Ibama, porque envolve tanto a saúde da população
quanto a agricultura e o meio ambiente.
Para
monitorar os alimentos que chegam ao consumidor a Anvisa
criou o Programa para Análise de Resíduos
de Agrotóxicos em Alimentos (PARA). Além
da busca de subsídios que permitam uma melhor orientação
quanto ao uso dos praguicidas pelos produtores rurais,
o programa vai fiscalizar se estes estão sendo
utilizados de acordo com suas instruções
de uso.