Transformar
resíduos de madeira – pó de serra – em blocos
de concreto e material de enchimento das pré-lajes
para construção civil foi o objetivo do
engenheiro Flávio Pedrosa Dantas Filho ao iniciar
sua pesquisa de mestrado na Faculdade de Engenharia Civil
da Universidade Estadual de Campinas. De acordo com o
engenheiro, os resíduos são considerados
“indesejáveis”, ficando geralmente amontoados em
pátios onde são queimados ou jogados em
rios.
A
geração deste tipo de resíduo não
é pequena. Dantas Filho estima que uma serraria
de porte médio destinada a produzir 2 mil metros
cúbicos de madeira serrada por mês, poderia
gerar 78 toneladas de serragem. Ao todo, as serrarias
do país gerariam em torno de 620 mil toneladas
de serragem por ano. “Os problemas causados para o meio
ambiente são inúmeros”, afirma. “Um dos
principais fatores é a queima que polui o ambiente,
gerando gás carbônico”, completa. A outra
porcentagem, segundo o engenheiro, é descartada
no meio ambiente, provocando poluição do
solo e água.
A
partir dos resultados obtidos no estudo de Dantas Filho,
o pó de serra utilizado como agregado miúdo
em substituição parcial ou total ao agregado
miúdo mineral (areia) possibilita a redução
significativa da areia na produção de blocos
de concreto para vedação e/ou elementos
de enchimento de pré-lajes, comportando-se como
um material mais leve e termo isolante, em função
da baixa condutividade térmica. As pesquisas revelaram
que o material é 3,5 vezes mais isolante térmico
que o concreto convencional. Segundo ele, materiais convencionais,
como o concreto, por exemplo, precisam ser revestidos
com isolantes térmicos para reduzir o calor gerado
nos ambientes, o que além de encarecer o projeto
nem sempre produz efeito estético satisfatório.
Outro
benefício da substituição da areia
pelo resíduo (pó de serra) é a acústica
dos ambientes. Pesquisadores do Departamento de Arquitetura
e Construção mostram que a adição
do pó de serra na composição do traço
de materiais de acabamento melhora a absorção
sonora desses materiais. Os ensaios mostraram que a absorção
acústica proporcionada por este material foi muito
superior aos dos revestimentos convencionais (alvenaria
lisa e cortiça, entre outros). Além disso,
segundo Dantas Filho, a cortiça não resulta
em um visual apreciado pelos arquitetos. “O bloco pesquisado
pode fazer parte da decoração do local,
pois pode ser pintado e possui o aspecto de alvenaria
convencional”, defende.
Orientado
inicialmente pelo professor Luis Alfredo Cottini, Dantas
Filho iniciou há três anos as pesquisas para
a dissertação de mestrado “Blocos de Concreto
e elementos de enchimento de pré-lajes com adição
de pó-de-serra, uma alternativa para minimizar
impactos ambientais”. Na época, tinha interesse
em dar continuidade à linha de pesquisa de Cottini
sobre reciclagem de resíduos. O professor já
havia desenvolvido processo para o tratamento do material
e necessitava de estudos que permitissem testar a utilização.
Mas por problemas de saúde, Cottini precisou se
aposentar.
O professor Vitor Antonio Ducatti prosseguiu na orientação
e o engenheiro passou a testar várias proporções
de adição do pó de serra ao concreto
para a produção de blocos. A utilização
do pó de serra como agregado miúdo na produção
de blocos de concreto em até 50% do volume aumentou
a resistência térmica com redução
de peso, atendendo as prescrições da norma
para alvenaria de vedação.
A utilização da argamassa de cimento e pó
de serra na produção de elementos de enchimento
de lajes pré-moldadas também foi satisfatória.
O engenheiro explica que tradicionalmente, o material
utilizado para o enchimento seria a cerâmica ou
isopor. “A substituição dos blocos cerâmicos
pelos blocos de cimento e pó de serra minimiza
a degradação dos maciços argilosos
e o consumo de madeira para produzir calor na queima dos
fornos das indústrias cerâmicas. Já
o isopor é muito caro”, esclarece. Para realizar
os ensaios, Dantas contou com a colaboração
de uma fábrica de blocos. Conseguiu produzir 100
blocos com mão-de-obra especializada. O ensaio
da condutividade térmica foi realizado na Universidade
Federal de Santa Catarina.
Do Portal Unicamp
Por Raquel do Carmo Santos
(LRK)
FONTE: http://www.saopaulo.sp.gov.br/sis/lenoticia.asp?id=60669