O
Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa),
estará liderando, a partir desta sexta-feira (25),
uma expedição pelo Rio Negro, com o objetivo
de levantar aspectos sobre a biodiversidade e ecologia
de alguns grupos de organismos aquáticos, como
organismos aquáticos microscópicos – fitoplâncton
e zooplâncton –, algas perifíticas (que vivem
aderidas a plantas aquáticas, troncos e pedras
submersas) e peixes. Outra finalidade é coletar
dados sobre o ambiente aquático propriamente dito,
ou seja, as características físico-químicas
da água.
Durante 15 dias, cientistas do Inpa – órgão
vinculado ao Ministério da Ciência e Tecnologia
(MCT) –, do Instituto Militar de Engenharia (IME) e da
Universidade do Vale do Itajaí (Univali), além
de estudantes de pós-graduação e
de iniciação científica, percorrerão
o Rio Negro a bordo do barco de pesquisas do Inpa, o Amanaí
II.
As coletas serão realizadas apenas na ida, com
o percurso divido em seis segmentos: dois entre Manaus
e Barcelos e quatro entre Barcelos e São Gabriel
da Cachoeira. Em cada segmento, serão escolhidos
um afluente da margem esquerda e um da margem direita,
para a realização das coletas. As equipes
se dividirão em cinco canoas menores para a realização
das amostragens e observações, e depois
voltarão ao barco para processar os dados coletados.
Estão previstas apenas duas paradas para reabastecimento,
uma em Barcelos e outra em Santa Isabel.
"A nossa expectativa é encontrar coisas novas
porque muitas das coletas que faremos são inéditas",
afirma o pesquisador José Antônio Alves Gomes,
coordenador do Laboratório de Fisiologia Comportamental
(LFC) do Inpa. Ele cita, como exemplo, um dos trabalhos
específicos da equipe do LFC: os estudos de especiação
biológica (processo pelo qual as espécies
vivas se diferenciam umas das outras) utilizando os peixes-elétricos
como modelo.
Além desse trabalho, estão previstas outras
atividades de pesquisas também inéditas
para essa região, como a utilização
de um robô subaquático para execução
de filmagens em profundidade, estudos sobre a hipótese
de o Rio Negro exercer uma barreira entre as margens para
dispersão de peixes de pequeno porte e o levantamento
de dados sobre a biodiversidade e ecologia de comunidades
de organismos planctônicos e algas perifíticas,
de forma a utilizar estes grupos como indicadores de qualidade
ambiental e estudos mais acurados sobre o ciclo de carbono
e micronutrientes nos corpos d'água desta bacia.
O IME estará investigando aspectos da navegabilidade
do Rio.
Multiinstitucional
Paraná Pixuna significa Rio Negro em tupi. Por
essa razão, a expedição foi batizada
simplesmente como Pixuna. "Acreditamos que ‘Expedição
Pixuna’ traduz o objetivo e o caráter multiinstitucional
do projeto", afirma Antônio Carlos Beaumord,
pesquisador do Laboratório de Estudos de Impactos
Ambientais (LEIA) da Univali. "É um trabalho
que fortalece a interação entre as diferentes
equipes e instituições, ou seja, o Inpa
está atuando de fato em parceria com o IME, com
a Univali, entre outros. A idéia é que isso
venha a ser mesmo uma prática, de modo que possamos
realizar novos projetos de longa duração
para monitorar os ambientes aquáticos da Amazônia",
completa Gomes, que também é diretor do
Inpa.
Para o cumprimento dessa agenda multidisciplinar, além
dos pesquisadores do LFC do Inpa e do LEIA da Univali,
participam ainda pesquisadores dos Laboratórios
de Fito e Zooplâncton, e Citogenética de
Peixes, também do Inpa, do Centro de Energia Nuclear
na Agricultura (Cena), Centro de Pesquisas Renato Archer
(CenPRA), e da Universidade de Santa Cruz do Sul (UNISC).
A expedição conta com recursos da Financiadora
de Estudos e Projetos (Finep), uma das instituições
de fomento do MCT. O custeio inclui despesas para transporte,
alimentação e estada de 28 pesquisadores
e de sete tripulantes.
Está prevista, ainda, a realização
de nova expedição no período de águas
altas na Amazônia. A intenção dos
pesquisadores é tornar esse projeto uma atividade
constante com a realização de, pelo menos,
duas expedições por ano. "Dessa forma,
será possível obter não apenas um
diagnóstico dos ambientes aquáticos desta
bacia, mas também o monitoramento ambiental das
águas do Rio Negro e seus afluentes", destaca
o Beaumord. As informações poderão
ser usadas no futuro para projetos de monitoramento de
longo prazo na bacia do Rio Negro.
Informações pelos telefones: (92) 643-3100/3104.
FONTE:
http://agenciact.mct.gov.br/index.php?action=/content/view&cod_objeto=23867