Anthony
DePalma
Do New York Times
NOVA
YORK. Agora que ele ajudou a decifrar com sucesso o genoma
humano e descobriu dezenas de milhares de genes em amostras
de água do mar, o cientista Craig Venter lança-se
numa exploração considerada impossível.
Quer descobrir a verdadeira composição do
ar de Nova York — e, por extensão, de outras grandes
cidades do mundo.
O
instituto criado por Venter e que leva o seu nome está
usando um equipamento especialmente desenvolvido para
coletar amostras de ar, instalado no alto um prédio
de 40 andares, em uma das áreas mais congestionadas
da cidade. O material coletado é enviado para o
Joint Technology Center. Lá, o ar de Nova York
é analisado ao nível de diminutas partículas,
revelando pela primeira vez o material genético
de micróbios e outros organismos que os nova-iorquinos
inalam sem perceber.
—
Eu não ficaria surpreso se houver dezenas de milhares
de espécies de microorganismos, como vírus
e bactérias. Precisamos conhecer melhor esse mundo
invisível das cidades — disse Venter, que se tornou
famoso, quando estava à frente de sua antiga empresa,
a Celera Genomics, que empatou com o consórcio
público Projeto Genoma Humano na corrida para decifrar
o DNA do ser humano.
Embora
se saiba muito a respeito de vários poluentes,
somente uma pequena percentagem — cerca de 1% — dos microorganismos
presentes no ar podem ser identificados pelos métodos
tradicionais. O novo processo elaborado por Venter ambiciona
oferecer uma imagem tão detalhada do ar quanto
o mapeamento do genoma proporcionou sobre o corpo humano.
A
informação genética poderia ser usada
para criar um panorama muito mais preciso da qualidade
do ar. Além disso, poderia facilitar a identificação
de qualquer novo microorganismo potencialmente perigoso
que fosse liberado numa hipotética ação
bioterrorista.
E,
mesmo sem ameaça de terrorismo, isolar vírus
e bactérias poderia expandir grandemente o conhecimento
de micróbios com possível importância
para a medicina.
—
O ar é uma parte do meio ambiente que ignoramos
— disse Venter.
Na
verdade, o sistema de Venter já está em
teste em 30 cidades americanas.
—
Nossa meta é encontrar agulhas em palheiros — disse
Robert M. Friedman, vice-presidente do instituto criado
por Venter.
O
trabalho começou em dezembro passado.
Com agências internacionais
FONTE:
http://www.ghente.org/clippings/clipping.php?Chave=1354