Em
depoimento à CPI da Biopirataria, o chefe do posto
da Funai em Colider (MT), cacique Megaron Txucarramãe,
admitiu que viajou ao Canadá para oferecer madeira
a uma empresa daquele país, com autorização
do Ministério do Meio Ambiente e do próprio
Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e dos Recursos Naturais
Renováveis (Ibama). Minutos antes, ele havia garantido
que jamais saíra do País.
O cacique negou envolvimento na suposta doação
pelo Ibama de 66 mil metros cúbicos de mogno situado
em terras indígenas, cuja extração
é ilegal, à ONG Federação
de Órgãos para Assistência Social
e Educacional. Segundo denúncias que chegaram à
comissão, o material doado à ONG pelo Ibama
foi vendido irregularmente a empresas japonesas e norte-americanas.
O depoimento não convenceu o deputado Hamilton
Casara (PL-RO), que presidiu a audiência. Ele disse
que vai pedir a convocação do assessor do
cacique, conhecido como Chicão, e de um representante
da ONG para depor na CPI.
Para Casara, é preciso fortalecer a presença
dos órgãos públicos nas reservas
indígenas para evitar a extração
ilegal de madeira. "Precisamos fortalecer o braço
do controle da fiscalização e monitoramento
ambiental", afirmou o deputado.
Autorização
do governo
No depoimento desta manhã, Megaron Txucarramãe
relatou à CPI que os madeireiros abandonaram as
reservas indígenas depois que o governo proibiu
a extração de mogno. O cacique, então,
teria ido ao Ministério do Meio Ambiente e ao Ibama
pedir orientação sobre o uso da madeira,
quando teria recebido autorização para oferecer
o produto a empresas interessadas, em troca de compensação
financeira para as aldeias.
O depoente chegou a exibir uma carta do Ministério
do Meio Ambiente para comprovar suas afirmações,
mas o documento apresentado não contém a
suposta autorização para negociação
de mogno.
Próxima
reunião
A CPI volta a se reunir nesta terça-feira (31),
quando serão ouvidos o ex-coordenador de Proteção
de Terras Indígenas da Funai, Antenor Bastos Filho;
e o assessor do presidente do Ibama, Paulo Henrique Borges
Júnior.
Fonte:
http://www3.camara.gov.br/internet/agencia/materias.asp?pk=67133