Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais
debate situação atual e futuro do Protocolo de Kyoto


São Paulo pode dar uma grande contribuição para ajudar nas ações para a mitigação dos efeitos das mudanças climáticas globais, disse hoje o governador Geraldo Alckmin, lembrando que o “Estado é o maior produtor mundial de álcool combustível, que é uma fonte de energia renovável”.

Alckmin recordou ainda que, recentemente, o governo paulista obteve do Banco Mundial, a quantia de US$ 7,7 milhões, a fundo perdido, que permitirá o plantio de um milhão de hectares de matas ciliares em todo o Estado.

As declarações do governador foram feitas em 26/07/2005 no auditório da Fundação Getúlio Vargas - FGV, na abertura do seminário internacional “Equidade no Período Pós-Quioto”, promovido pelo Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, criado pelo Governo do Estado, em parceria com o Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV e a organização inglesa Action for a Global Climate Community.

Além do governador Alckmin, estiveram presentes, entre outras autoridades, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, o secretário do Meio Ambiente do Estado, professor José Goldemberg, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o coordenador geral de Mudanças Climáticas do Ministério da Ciência e Tecnologia - MCT, José Domingos Gonzales Miguez, o secretário do Verde e do Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo, Eduardo Jorge, e o prof. Luiz Gylvan Meira Filho, do Instituto de Estudos Avançados da Universidade de São Paulo -USP, além do secretário-executivo do Fórum Paulista de Mudanças Climáticas Globais e de Biodiversidade, Fábio Feldmann.

O seminário internacional teve as participações, entre outras, de Peter Luff, diretor da Action for a Global Climate Community, de Rubens Mazon, coordenador do Centro de Estudos em Sustentabilidade da FGV, Aubrey Meyer, diretor do Global Commons Institute, Luiz Pinguelli Rosa, secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, e Walter Vergara, engenheiro-chefe de Meio Ambiente do Banco Mundial.

Mecanismo de Desenvolvimento Limpo
De acordo com Fábio Feldmann, além do objetivo básico do Fórum Paulista, de disseminar ao público em geral a discussão sobre mudanças climáticas globais, o seminário visa também o debate de estratégias que poderão vir a ser implementadas pelos países após 2012, quando se encerra a primeira fase dos compromissos assumidos no âmbito do Protocolo de Kyoto, assinado por 194 países e em vigor desde fevereiro último. Com o início da segunda fase, os chamados países em desenvolvimento terão de assumir responsabilidades quanto à emissão de gases causadores do efeito estufa.

Para a ministra Marina Silva, o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo - MDL, previsto no protocolo e que possibilita a geração de recursos a partir de créditos de carbono, embora ainda em fase inicial, representa uma iniciativa inovadora e deve ser potencializado para tornar-se um instrumento eficaz no futuro para o controle das mudanças climáticas. Lembrando que 30% dos projetos de MDL são brasileiros, a ministra apontou também para a questão da Amazônia onde o desmatamento, segundo estudos, é apontado como grande responsável pela emissão de gases de efeito estufa.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, após salientar que o Brasil não pode se eximir de responsabilidades no que se refere às mudanças climáticas globais, reiterou que o país deve reforçar suas posições, recordando que várias medidas concretas foram implementadas, como a criação em São Paulo de um fundo específico na Bolsa de Mercadorias. Quanto ao futuro do protocolo, mostrou preocupação quanto ao cumprimento dos compromissos assumidos pelo tratado produzido na cidade japonesa. O ex-presidente sugeriu a criação de indicadores para acompanhar a evolução das medidas implementadas, dando como exemplo o Índice de Desenvolvimento Humano - IDH.
De acordo com José Miguez, do MCT, o Brasil defende as propostas brasileiras formuladas em 1997, destacando que a criação do MDL foi consolidada, com sua inclusão no protocolo. Por sua vez, Peter Luff é de opinião que um novo grupo, formado pelos países do Norte e do Sul, incluindo o Brasil e a Índia, devem se comprometer para estabelecer uma meta concreta para os créditos de carbono. Para Paulo Moutinho, do Observatório do Clima, há necessidade de um salto e um ponto importante seria a discussão específica das “emissões avantajadas do desmatamento”.

Alertando para o fato de que “as mudanças climáticas, infelizmente, não são modismo”, o professor Enéas Salatti, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz”, da USP, informou que, no planalto paulista, já se registra um aumento de temperatura em torno de 0,7° C, enquanto a elevação média no planeta é de 0,6° C. Explicitando a sua preocupação, disse que “a curto prazo, há perda de água por evaporação, que resultará em prejuízos significativos para o abastecimento público”.

No dia 27/07/2005, as atividades foram abertas ao público, com início às 9 horas e final às 16,30 horas, com um debate.

Texto: Mário Senaga

FONTE:
http://www.ibot.sp.gov.br/Destaque/270705kyoto.htm


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