Projeto
na Amazônia restabelece estoques de pirarucu, ameaçado
de extinção,
e ajuda comunidades da região a ganharem mais
MARÍLIA JUSTE
da PrimaPagina
A
exploração responsável dos recursos
pesqueiros pode não apenas gerar mais renda para
as comunidades ribeirinhas, como também permitir
a procriação das espécies de peixes.
E um projeto realizado em 49 lagos de um afluente do rio
Solimões, no Amazonas, provou isso. Em dois anos,
o trabalho, feito em 16 comunidades do município
de Fonte Boa, possibilitou que as 200 famílias
da região ganhassem mais dinheiro com a venda do
pescado e, ao mesmo tempo, aumentou em mais de 400% o
estoque do pirarucu, que está ameaçado de
extinção.
O projeto, chamado Manejo Comunitário dos Recursos
Pesqueiros, foi desenvolvido pelo Instituto de Desenvolvimento
Sustentável da prefeitura de Fonte Boa, com financiamento
do PROVÁRZEA/IBAMA (Programa de Apoio ao Manejo
dos Recursos Naturais da Várzea), uma iniciativa
que conta com o apoio do PNUD. De acordo com o coordenador
José Maria Batista, o objetivo era ensinar as comunidades
da região de Fonte Boa a usar os recursos pesqueiros
de maneira sustentável. “Antes do nosso trabalho,
eles pescavam sem qualquer cuidado, o ano inteiro, de
qualquer jeito. Isso enfraquecia as espécies e
acabava sendo ruim para eles mesmos”, explica.
O pirarucu é um peixe de grande porte (pode chegar
a até 3 metros de comprimento e 250 quilos), característico
das áreas de várzea e exclusivo da Bacia
Amazônica. Como respira tanto dentro quanto fora
da água, ele é bastante vulnerável
à ação dos pescadores quando sai
para buscar ar. Os machos são responsáveis
por cuidar dos filhotes nas suas primeiras semanas de
vida e, quando são capturados, os deixam expostos
a espécies carnívoras, como as piranhas.
Essas características, somadas ao aumento da pesca
na Amazônia nos últimos anos, contribuíram
para a diminuição dos estoques do pirarucu.
Por isso, a captura da espécie foi proibida fora
de sistemas de manejo. Apenas pescadores com autorização
do IBAMA em áreas controladas podem explorá-la.
O projeto na região de Fonte Nova, nos lagos do
chamado setor Maiana, teve como objetivo exatamente implantar
um desses sistemas de manejo.
Uma das iniciativas foi ensinar regras da pesca sustentável
aos moradores das 16 comunidades. Com isso, eles se organizaram
em rodízios para pescar somente nos períodos
certos, quando a espécie seria menos afetada, e
aprenderam a não capturar peixes que ainda não
tinham passado pela fase de amadurecimento. Essas medidas
permitiram que o estoque de pirarucu nos 49 lagos do setor
se recuperasse: a quantidade de peixes adultos passou
de 638, em 2003, para 3.373, este ano.
Além de fortalecer a espécie, o projeto
também deu apoio aos moradores. De acordo com Batista,
eles foram encorajados a se unir em organizações
comunitárias e cooperativas para gerir melhor os
recursos naturais à disposição —
além do peixe, por exemplo, também a exploração
da madeira. A união entre as comunidades possibilitou
que eles vendessem seus produtos diretamente aos consumidores.
“A venda direta melhora a situação econômica
de toda a comunidade. E, melhorando isso, também
melhora a moradia, o transporte, os barcos, os equipamentos”,
explica o coordenador.
Fonte:
http://www.pnud.org.br/meio_ambiente/reportagens/index.php?id01=1421&lay=mam