O
Brasil é o país que mais desenvolve projetos
voltados à redução da emissão
de gases causadores do aquecimento global. São
62 propostas em fase final de elaboração,
o que representa cerca de 30% do total de projetos do
mundo. A informação é do secretário-executivo
da Comissão Interministerial de Mudança
Global do Clima, José Miguez, que participou hoje
de reunião com integrantes da subcomissão
permanente que acompanha a implementação
do Protocolo de Quioto. Essa subcomissão é
vinculada à Comissão de Meio Ambiente e
Desenvolvimento Sustentável.
Pelo acordo de Quioto, que entrou em vigor em fevereiro
passado, os países desenvolvidos comprometem-se
a reduzir entre 2008 e 2012 as emissões em cerca
de 5% em relação aos níveis de 1990.
Já os países em desenvolvimento, como o
Brasil, não são obrigados a cumprir metas.
Mercado
de carbono
Por outro lado, os países em desenvolvimento podem
participar do chamado mercado de carbono. Por esse mecanismo,
países e empresas poluidoras localizadas em regiões
desenvolvidas podem comprar cotas de gases que deixam
de ser emitidos por projetos considerados limpos em países
em desenvolvimento. Nesse ponto, o Brasil ganha, segundo
José Miguez.
O secretário da Comissão de Mudança
Global do Clima explicou que, ao estimular a elaboração
de propostas de desenvolvimento limpo, o País ajuda
na redução do aquecimento global e ainda
arrecada dinheiro. "Considerando o preço hoje,
que ainda é baixo, nós estaríamos
falando em algo como 600 milhões de dólares
(aproximadamente R$ 1,4 bilhões) ao longo desses
sete anos, em média. Nós estamos falando
em algo em torno de 100 milhões de dólares
(R$ 240 milhões) por ano, o que seria já
um item expressivo na pauta de exportação
brasileira", calculou.
Conferência
Entre os dias 28 de novembro e 9 de dezembro deste ano,
o Brasil participa da 11ª Conferência das Partes
da Convenção-Quadro das Nações
Unidas sobre Mudanças Climáticas. Nesse
encontro, os próximos passos do Protocolo de Quioto
serão discutidos.
O vice-presidente da Comissão de Meio Ambiente,
deputado Jorge Pinheiro (PL-DF), defende o envio de parlamentares
ao Canadá, local da conferência. "Às
vezes, a desinformação dos próprios
parlamentares faz com que a gente aprove algum tipo de
projeto que de repente está contrário ao
pensamento de quem está participando do protocolo.
Para não haver esses equívocos, é
importante enviar alguém da subcomissão
para informar os outros integrantes em relação
a projetos que poderão passar pela comissão",
afirmou.
Fonte:
http://www.camara.gov.br/internet/agencia/materias.asp?pk=73401