A
resistência dos grandes grupos econômicos,
aliada ao despreparo dos administradores municipais, estaduais
e federal - que fiscalizam mal as ações
contra o meio ambiente - alimenta os conflitos ambientais.
Essa foi a conclusão apresentada pelos debatedores
do programa Câmara Agora, produzido pela TV Câmara
e transmitido na manhã desta sexta-feira. O programa
discutiu fiscalização, licenciamento, estudos
de impacto e auditoria ambiental, além da necessária
criação de uma cultura de valorização
do meio ambiente no País.
Comissões
ambientais
O Governo pretende criar, na próxima semana, comissões
ambientais em 15 estados com representantes da União,
dos estados e dos municípios. A informação
foi dada pelo secretário-executivo do Ministério
do Meio Ambiente, Cláudio Langone, que participou
do debate ao lado dos deputados Sarney Filho (PV-MA),
Wagner Rubinelli (PT-SP) e do ministro do Tribunal de
Contas da União (TCU), Ubiratan Aguiar.
Sarney
Filho, que foi ministro do Meio Ambiente e iniciou a articulação
entre as três esferas de Governo, afirmou que a
responsabilidade maior sobre a falta de licenciamento
ambiental não é do Ibama, mas das próprias
empresas.
Segundo
ele, muitas delas sentem-se desconfortáveis em
cumprir o que a lei determina. "Eu diria que 80%
das reclamações se originam na falta de
preparo das próprias empresas e de estrutura",
afirmou.
Papel do Poder Público
O ministro do TCU, Ubiratan Aguiar, informou que 20% de
400 obras auditadas apresentaram irregularidades no aspecto
ambiental. Para ele, "há necessidade de que
cada órgão público entenda sua responsabilidade
em relação ao meio ambiente e à adoção
daquelas providências da legislação
específica".
Para
o deputado Sarney Filho, a participação
de estados e municípios é preponderante
na preservação do meio ambiente. O secretário-executivo
do Meio Ambiente, Cláudio Langone, concordou com
o deputado e ressaltou que é preciso capacitar
e sensibilizar os prefeitos, "porque os crimes ambientais
cometidos por municípios ou são motivados
por falta de conhecimento ou por má fé”.
No
dia 2, o TCU vai realizar uma conferência internacional
sobre direito ambiental, com a participação
de 55 países, quando serão distribuídas
cartilhas sobre o assunto aos prefeitos.
O deputado Wagner Rubinelli defendeu a criação
da Justiça Ambiental, uma vez que o poder econômico
vem se sobrepondo ao direito de preservação
ambiental. Ele explicou que os grupos econômicos
preferem ganhar tempo na Justiça a realizarem os
estudos de impacto ambiental.
Reportagem – Márcia Brandão
Edição – Marcelo Rech
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