Levantamento
do Ministério do Meio Ambiente feito com base em
14 estudos realizados em diferentes locais do País
mostra que mais de 40% das Áreas de Preservação
Permanente (APPs) estão degradadas nessas regiões.
O trabalho foi apresentado nessa terça-feira (27)
pelo diretor do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente),
Nilo Diniz, durante reunião pública sobre
a regulamentação do uso dessas áreas,
em Belém (PA).
As APPs são áreas protegidas pela legislação
federal como margens de rios e lagos (naturais ou artificiais),
nascentes e olhos d´água, veredas, topos
de morros, áreas indígenas, regiões
muito inclinadas, manguezais e dunas.
As pesquisas realizadas por universidades federais e estaduais
abrangeram pouco mais de 2,7 mil quilômetros quadrados
em municípios do Espírito Santo, Minas Gerais,
Paraná, São Paulo, Tocantins, Santa Catarina
e Rio Grande do Sul.
Os estudos mostraram que cerca de 21% da área estudada
é de preservação permanente. No entanto,
43% dessas APPs já estão degradadas, principalmente
por atividades ligadas à agropecuária (tabela
abaixo). "A realidade nessas áreas é
muito negativa do ponto de vista da preservação
das APPS", disse Diniz.
Se esses dados fossem projetados para os 8,5 milhões
de quilômetros quadrados do País, significaria
que quase dois milhões de quilômetros quadrados
do território nacional estariam em Áreas
de Preservação Permanente, mais do que a
área do estado do Amazonas. Essa perspectiva, conforme
o diretor do Conama, demonstra a dimensão geográfica
e a importância do debate sobre o uso das APPs.
O encontro promovido pelo Conama em Belém foi o
segundo de cinco reuniões públicas regionais
para apresentação da proposta de resolução
que definirá situações de utilidade
pública, interesse social ou de baixo impacto para
retirada de vegetação em APPs. A primeira
reunião aconteceu em Porto Alegre (23). A próxima
será em Belo Horizonte (3 de outubro), seguida
por Recife (7/10) e Goiânia (10/10).
De
acordo com Nilo, o Conselho não pode se furtar
a debater a situação em que se encontram
as APPs. "É necessário estabelecer
uma norma nacional que defina a excepcionalidade da matéria",
disse. Segundo ele, o Conama soube receber as reações
contrárias à resolução e entender
as manifestações da sociedade. "As
reuniões darão mais espaço para qualificar
o debate", completou.
O diretor do Conama informou que, após a aprovação
da resolução, o Conama e o Ministério
do Meio Ambiente realizarão um seminário
nacional para discutir a recuperação e a
recomposição das áreas de reserva
legal e das Áreas de Preservação
Permanente. "O Conselho dará seqüência
ao debate, tratando de silvicultura, agricultura e pecuária,
que ficaram de fora do debate atual. Não basta
regulamentar a excepcionalidade de interesse público,
social e de utilidade pública, mas também
é preciso incentivar o produtor rural a recuperar
sua reserva legal", enfatizou.
ASCOM
Fonte:
http://www.mma.gov.br/ascom/ultimas/index.cfm?id=1977