Marana
Borges / USP Online
marana@usp.br
Aquele
tapete lilás que cobre a avenida vem de onde? São
as flores do jacarandá-mimoso. E o tapete amarelo?
É a tipuana jogando suas flores no chão
de setembro a dezembro. E tem o cedro, a macaúba,
o jerivá, cedendo seus galhos para o bicho preguiça,
beija-flor, gambá, tucano, sagüi, bem-te-vi.
Ao
folhear o livro Fauna e flora no campus o leitor encontrará
40 espécies de árvores e de animais que
podem ser encontrados no campus da Cidade Universitária
“Armando de Salles Oliveira”, no Butantan. A obra é
de autoria de Jane Elizabeth Kraus, Elizabeth Höfling,
Miguel Trefaut Rodrigues e Maria Ruth Amaral de Sampaio,
todos do Instituto de Biologia da USP, e será lançada
dia 18 de novembro, às 18h30, no Anfiteatro Camargo
Guarnieri.
Em
2001, a pedido do ex-reitor Jacques Marchovitch, os autores
deram início, juntamente com a FAU e a Poli, a
um projeto de educação ambiental e experimentações
urbanísticas. A idéia era colocar totens
com ilustrações e informações
sobre alguns animais e plantas típicas da área
nas rotas de maior circulação de pedestres.
O projeto não vingou, mas dele nasceu o livro.
“A
vantagem do livro é que você pode levá-lo
quando for viajar para mostrar para outras pessoas. Ali
tem um pouquinho da história da USP”, afirma Jane
Elizabeth Kraus, responsável pelo projeto. Ela
ressalta também que a obra pode ser utilizada como
material didático. Destinada ao público
em geral, ela traz fotos acompanhadas de explicações
básicas, como descrição e distribuição
geográfica dos animais e plantas arbóreas.
Todos os textos possuem tradução em inglês.
Biodiversidade
no campus
Embora haja mais de 155 espécies de aves e 250
de borboletas no campus, nem todos apreciam a natureza.
Um dos fatores é o aumento cada vez maior do uso
de veículos particulares. Por dia, circulam mais
de 30 mil carros. “Queremos inclusive estimular que as
pessoas caminhem e percebam a natureza”, diz Elizabeth
Höfling.
Afinal
de contas, a USP é um lugar privilegiado. “Qualquer
outro parque de São Paulo não tem essa biodiversidade
daqui. Num lugar descampado com solo batido não
há abrigo, recurso alimentar nem material para
construção de ninho, e então a biodiversidade
é menor”, conta a professora, que há 20
anos desenvolve pesquisas com as aves da Universidade.
A USP fica ao lado de uma reserva florestal, o que torna
sua vegetação ainda mais rica.
Os
autores escolheram a fauna e flora que pudessem ser vistas
com mais facilidade no campus e que fizessem parte da
região neotropical (que abrange do sul do México
até a Argentina, incluindo o Brasil). “Procuramos
valorizar as nossas espécies. Não colocamos
eucaliptos porque são australianos, nem pardais
porque são europeus”, diz Höfling.
Serviço
Fauna e flora no campus
Editora da USP (Edusp)
312 páginas
R$ 139,00
Fonte:
http://noticias.usp.br/canalacontece/artigo.php?id=10172