O
Ministério do Meio Ambiente do Equador concedeu
na última terça-feira, 22, licença
à Petrobrás para derrubar 21.577 metros³
de madeira de floresta primária no Parque Nacional
Yasuní, no Equador. O objetivo da empresa brasileira
é abrir caminho do rio Napo até a plataforma
de perfuração de Apaika. A licença
também permite o desmatamento para abrir espaço
para duas plataformas de perfuração, uma
estação de processamento e uma plataforma
de re-injeção.
Além disso, de acordo com o chefe da Parque Nacional
Yasuní, 80% do porto ao longo do rio Napo já
foi construído e a Petrobrás deve iniciar
as obras de construção da estrada em breve.
O presidente do Equador, Lucio Gutierrez, anunciou em
agosto do ano passado, durante visita do presidente Lula
a seu país, a concessão de licença
para a Petrobrás explorar petróleo no Yasuní.
Desde então, comunidades tradicionais - como o
povo indígena Huaorani -, organizações
não-governamentais e cientistas reconhecidos internacionalmente
se manifestaram contra a construção da estrada
de acesso aos locais de perfuração de petróleo.
Duplo padrão
Logo após o anúncio da licença, uma
missão verificadora internacional visitou o parque
para analisar os impactos socioambientais nas áreas
onde já é feita a exploração
e averiguar o estado do Bloco 31, onde a Petrobras pretende
iniciar suas atividades.
Entre as recomendações presentes no relatório,
estão a não concessão da licença
ambiental para a Petrobras e a realização
de uma auditoria independente nas áreas já
afetadas pela indústria petrolífera internacional.
Para os representantes brasileiros da missão, a
Petrobras transfere para um país onde a legislação
ambiental é mais flexível os passivos ambientais
de uma atividade que não poderia realizar no Brasil.
A legislação brasileira não permite
a exploração petrolífera em Parques
Nacionais e em territórios indígenas. Desta
forma, a operação caracterizaria um duplo
padrão de ação da empresa.
Protestos
Em fevereiro deste ano, alguns dos mais importantes biólogos
do mundo - incluindo Jane Goodall, E.O. Wilson, Stuart
Pimm, Paul Ehrlich, Peter Raven, Gary Meffe e Thomas Lovejoy
- pediram ao governo equatoriano para proibir a construção
da estrada proposta pela Petrobras. No mesmo mês,
pesquisadores do Smithsonian Institution pediram à
Petrobras para que reconsidere seus planos de construir
uma nova estrada de acesso ao parque.
Em janeiro, a Association for Tropical Biology and Conservation
(ATBC), a maior organização científica
do mundo dedicada ao estudo e conservação
de ecossistemas tropicais, divulgou uma resolução
unânime pedindo ao governo equatoriano que proibisse
a construção da estrada proposta pela Petrobras.
Em novembro do ano passado, cientistas de diversos países
encaminharam carta aos Presidentes do Equador, Brasil
e da Petrobrás recomendando que a proposta da estrada
fosse interrompida.
A organização não-governamental americana
Save America's Forest lançou na Internet a página
Yasuní Rainforest Campaign. Na página estão
disponíveis mapas, fotos e documentos relacionados
ao Parque Yasuní, nomeado Reserva da Biosfera pela
Unesco em 1989 e considerado uma das mais ricas florestas
tropicais do planeta.
Clique
aqui para conferir a licença
expedida à Petrobrás (documento em Pdf).
Daniela
Kawakami
Com informações de Matt Finer, da Save America´s
Forest
FONTE:
http://www.amazonia.org.br/noticias/noticia.cfm?id=153583