Os
resultados de uma enquete realizada pelo Instituto Akatu
pelo Consumo Consciente revelam que os serviços
de coleta seletiva ainda estão longe do dia-a-dia
de grande parte dos brasileiros. Mais de 40% dos cerca
de 1.400 internautas que responderam ao questionário
afirmaram que não dispõem de coleta seletiva
nas regiões em que vivem. Por conta disso, 26%
desse grupo revelaram que não separam o lixo para
reciclagem.
Os dados, levantados entre fevereiro e junho deste ano,
corroboram o panorama divulgado pelo Instituto Brasileiro
de Geografia e Estatística (IBGE) em 2004: a coleta
seletiva ainda é incipiente no Brasil. A pesquisa
do IBGE mostrou que apenas 2% do lixo produzido no país
é coletado seletivamente, enquanto somente 6% das
residências são atendidas por serviços
de coleta seletiva, que existem em 8,2% dos municípios
brasileiros. Segundo o levantamento do Akatu, 31,4% dos
internautas encaminham o lixo para serviços municipais
de coleta, enquanto 16,9% dirigem-se às cooperativas
de catadores e 9,3%, a projetos sociais.
A falta de coleta seletiva na maior parte das cidades
brasileiras representa, além de impacto negativo
para o meio ambiente, perda de recursos financeiros. Segundo
cálculos do economista Sabetai Calderoni, autor
de "Os Bilhões Perdidos no Lixo" (Ed.
Humanitas, USP, 1997), só no ano de 1996 foram
desperdiçados R$ 4,6 bilhões em lixo não
reciclado, o que, na época, correspondia a dinheiro
suficiente para construir cerca de 460 mil casas populares.
Ainda de acordo com o economista, a implantação
e a ampliação de programas de coleta seletiva
nos municípios podem render até R$ 135 por
tonelada de lixo, dinheiro que cobriria gastos operacionais
e remuneração dos funcionários envolvidos.
Isso significaria também a diminuição
dos gastos das prefeituras com coleta, transporte, transbordo
e disposição final do lixo domiciliar não
separado. Além de tudo, a adesão da população
à coleta seletiva proporcionaria a obtenção
de produtos recicláveis com menor grau de impurezas,
o que elevaria seu valor de mercado.
FONTE:
http://www.cidadania.org.br/conteudo.asp?conteudo_id=5048