Os
transportes sustentáveis foram tema de mais uma
reunião promovida pelas instituições
preocupadas em encontrar alternativas que utilizem formas
de energia mais limpa, como a Fundação Hewlett,
Energy Foundation e Fundação Rockfeller,
que patrocinaram o encontro realizado de 17 a 22 de outubro
último, em Bellaggio, na região de Milão,
Itália. Representando o governo paulista e participando
como única brasileira, a secretária-adjunta
do Meio Ambiente do Estado de São Paulo, Suani
Coelho, deu destaque a experiências com o ônibus
híbrido e o biodiesel, sem deixar de falar também
nas fontes alternativas já consolidadas, como é
o caso do álcool, do qual o Brasil é o maior
produtor mundial.
Mas
se o Brasil leva vantagem na produção desse
combustível renovável utilizado em parte
da frota de veículos leves e também em larga
escala na mistura com a gasolina, tornando-a menos poluente,
o país ainda mantém uma grande dependência
da importação de óleo diesel puro,
que é subsidiado pelo governo para abastecer praticamente
todo o sistema de transporte de cargas e passageiros.
Esse
dado é preocupante não apenas pelo aspecto
econômico (já que mantém nossa dependência
da importação de petróleo), como
nas emissões para a atmosfera, com o teor de enxofre
atingindo 3.000 ppm, ainda que este teor deva ser reduzido
para 500 ppm, no caso do diesel metropolitano, a partir
de janeiro do próximo ano.
Segundo
a secretária-adjunta, se a redução
parece significativa, ela é ainda muito pequena
frente às metas apresentadas pela Comunidade Européia,
que pretende comercializar diesel com apenas 50 ppm de
teor de enxofre a partir do mesmo período, ou aos
Estados Unidos, que deverá comercializar diesel
com apenas 15 ppm já no início do próximo
ano.
Entre
as questões discutidas pelos representantes da
Comunidade Européia, Estados Unidos, Alemanha,
Canadá, Índia e Tailândia, além
do Brasil, outros temas que ganharam destaque foram a
possibilidade do Japão passar a adicionar até
3% de álcool na gasolina, com uma lei recentemente
aprovada naquele país, e o interesse da China começar
a utilizar este combustível em sua frota.
O
maior país do planeta é também grande
plantador de cana, mas sua produção é
praticamente toda transformada em açúcar.
Estas duas possibilidades abrem caminho, em um primeiro
momento, para a exportação do combustível
brasileiro e, futuramente, de equipamentos e “know how”
para a montagem de usinas de álcool ou até
mesmo de veículos para os dois mais populosos países
asiáticos.
Para
dar seqüência a essas discussões, será
realizada nova reunião internacional, programada
para ocorrer em dezembro, no Brasil, com o mesmo grupo
de participantes. Segundo Suani Coelho, embora sejam fechados
e não tenham caráter deliberativo, os encontros
oferecem a oportunidade para os especialistas apresentarem
seus estudos e experiências bem sucedidas, que podem
servir de modelo para o aprimoramento dos transportes
sustentáveis em diferentes países.
Texto: Eli Serenza
FONTE: http://www.ambiente.sp.gov.br/