Evento
"Os Impactos Sócio-Ambientais da Siderurgia
na Ilha de São Luís" foi realizado
nesta quarta-feira pela Secretaria Regional da SBPC/MA,
Instituto do Homem, IMARH e Amavida
O
encontro contou com a participação de representantes
do Governo do Estado, da Prefeitura, do Ibama, do Ministério
Público Federal e Estadual, da OAB, da CNBB, além
de representantes de várias ONG's, dentre as quais
o Instituto do Homem, IMARH, AMAVIDA, dentre outros. No
total foram 300 participantes.
O
evento foi realizado pela SBPC, Instituto do Homem, IMARH,
AMAVIDA, com apoio da Secretaria de Meio Ambiente do Estado,
Fundação Adenauer, Ibama e Jornal Folha
do Amanhã.
O
presidente da SBPC, Ennio Candotti, foi representado pelo
jornalista Lúcio Flávio Pinto. Impossibilitado
de comparecer ao evento, Ennio envio a seguinte comunicação:
“Amigos
participantes do encontro sobre a implantação
do pólo siderúrgico em São Luís.
Ausente,
peço perdão. Imperativos de ultima hora
me impedem estar com vocês neste importante momento.
Havia
preparado um elenco de perguntas e algumas reflexões
sobre os riscos e benefícios presentes no projeto
de implantação do pólo siderúrgico.
Quero pedir a Maria Célia Pires Costa que os leia,
talvez venham a ser úteis durante a discussão:
1.
Quanto aos benefícios, eles são indiscutíveis,
uma vez que sempre lutamos para que nosso minério
não seja exportado ao natural mas trabalhado, transformado,
agregando-lhe valor e conhecimento, tecnologia. Exportado
sob forma de chapas e laminados de aço ou como
produtos aqui projetados e finalizados.
2.
Há, porém, limites nesse apoio, e eles ficam
claros quando examinamos os riscos ambientais e os impactos
na saúde dos trabalhadores das próprias
usinas e das populações que vivem em regiões
próximas ao pólo.
3.
Anos de convivência com as emissões das chaminés
dos fornos de Tubarão, Vitória, ES, cidade
onde moro, e a intensa participação nas
lutas da comunidade capixaba para reduzir os impactos
desta poluição me autorizam a recomendar
algumas cautelas e rigores na negociação
que deverá ocorrer, sobre os limites dos riscos
toleráveis na implantação do pólo
siderúrgico.
4.
A chaminé dos fornos deve ser equipada com filtros.
A manutenção destes filtros deve ser garantida
e permanente. Eles consomem muita energia e tendem a ser
'desligados' para manutenção e reparos com
grande freqüência. A compra destes equipamentos
pelo mundo afora retarda as possibilidades de rápidos
reparos e permanente manutenção. (Em Vitória
os mais de vinte filtros das chaminés foram comprados
de diferentes fabricantes de todo o mundo, e estes demoram
mesas para enviar equipes de manutenção).
5.
É importante pensar desde já na criação
de um núcleo de estudos e pesquisas na universidade
sobre os sistemas de detecção e filtros
de elementos particulados (em especial os de dimensão
inferior a 10 micra que são as mais perigosas),
bem como de seus impactos sobre a saúde.
6.
Deve-se exigir a implantação, desde os primeiros
momentos, de um sistema de monitoramento em tempo real
da qualidade do ar das regiões vizinhas ao pólo
(dependendo dos ventos deve-se estimar o raio de alcance).
O controle e operação deste sistema devem
ser independentes do poluidor e até mesmo dos órgãos
ambientais de governo. (Em alguns países admite-se
o duplo comando: da comunidade e das agências de
governo).
7.
Recomendo ainda estudar a direção dos ventos
que atravessam o pólo, uma vez que serão
eles os principais responsáveis pelo transporte
dos elementos particulados emitidos pela chaminé
e levantados das pilhas de minério e carvão
em estoque nos pátios das siderúrgicas.
É possível que o resultado desses estudos
não admitisse escolher a ilha de São Luís
para a implantação desse empreendimento.
Nesse caso se poderia pensar em outra localização
no estado do Maranhão.
8.
Um último alerta: cuidado com os EIA-RIMAs etc.
que atestam a qualidade ambiental. No Espírito
Santo essas avaliações têm sido realizadas
por Institutos privados de questionável seriedade...
criados pelas próprias empresas poluidoras...
9.
Cabe finalmente sugerir que desde já se associe
à implantação do pólo a dotação
de recursos (2% os investimentos globais) para a criação
de um núcleo de engenharia em siderurgia e transportes,
logística e novos materiais. Desse modo, em dez
anos, os jovens maranhenses poderão participar,
com seu engenho, diretamente, da inovação
dos processos produtivos existentes no pólo siderúrgico.
E defender, de dentro das usinas, a saúde dos trabalhadores
e os interesses do
povo do Maranhão.
Quero
ainda anunciar que, mais tarde, deverá chegar Lúcio
Flávio Pinto, conselheiro da SBPC que junto com
Célia Pires bem me representarão nesse encontro.
Lúcio
Flávio tem se dedicado nas últimas décadas
a estudar os descaminhos do desenvolvimento econômico
e social da região norte e, tenho certeza, trará
para esse nosso debate reflexões tão severas
quanto esclarecedoras.”
FONTE: http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=22782