O
governo optou pela mamona, na produção do
óleo combustível vegetal a ser misturado
ao diesel, e o Estado, com 150 mil ha de área plantada,
responde por 90% da safra nacional
ANA
CRISTINA OLIVEIRA
ILHÉUS
O
governo federal anunciou o uso comercial de biodiesel
no Brasil a partir do início do próximo
ano. Antes, até o final deste mês, diz a
ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, deve ser
aprovada no Congresso Nacional a medida provisória
que disciplina a produção e comercialização
do combustível vegetal e autoriza a Agência
Nacional de Petróleo (ANP) a atuar como órgão
regulador, e, em dezembro, ser divulgado o Programa Nacional
do Biodiesel (Probiodiesel), que foi regulamentado em
outubro de 2002.
A
medida provisória autoriza a produção
de óleo combustível de origem vegetal para
mistura facultativa ao diesel de petróleo – numa
proporção de 2% (B2), em 2005, até
5% (B5), em 2010. O biodiesel pode ser produzido a partir
de variadas plantas, como girassol, amendoim, babaçu,
soja, dendê e mamona. As de maior produtividade
por hectare são o dendê, com média
de cinco mil quilos, e a mamona, com 1,5 mil, e o governo
optou pela mamona como matéria-prima.
No
entendimento do economista e ex-secretário da Fazenda
do município de Salvador, Alberto Gordilho, ao
optar pela adição do biodiesel ao diesel
mineral o governo está certo de garantir condições
de inclusão social com a expansão da área
plantada de mamona e evitar que a soja, geradora de menos
empregos, torne-se a principal fonte de matéria-prima
do programa. Entretanto, diz que a criação
isolada desse mercado para a mamona não deve ser
suficiente para motivar os agricultores a aderirem ao
plantio.
Segundo
ele, o óleo de mamona possui mercado crescente,
dentro e fora do País, e embora seja utilizado
em mais de 700 aplicações e a cotação
da saca remunere o agricultor, a produção
interna é insuficiente para atender à demanda
e não há mobilização para
o plantio. Mas, os Estados do Mato Grosso, São
Paulo, Pará, Minas Gerais e Paraná lançaram
programas e, juntos, vão produzir 114,6 milhões
de litros, ou 14,3% da demanda estimada de B2 no País.
Gordilho
diz que o programa brasileiro representará uma
demanda de 800 milhões de litros de B2, a partir
de 2002, chegando a dois bilhões com o B5, em 2010.
No caso da mamona, tem que haver extensa área plantada
e a incorporação dela ao projeto para garantir
a perenização do cultivo e oferta suficiente
de matéria-prima. Outro fator, diz o economista,
é a adoção de um modelo fiscal especial
para o programa, que não seria o ICMS, mas o IPI,
a Cofins e a CID, para reduzir o preço final do
biodiesel e gerar incremento de ICMS.
BAHIA
FAVORECIDA – Ao privilegiar a mamona, cultivada pelo agricultor
familiar no semi-árido, o Projeto Probiodiesel
favorece a Bahia, responsável por 90% da mamona
do País, com 150 mil hectares de área plantada.
Para viabilizar o Probiodiesel, o governo estadual está
implantando o projeto Desenvolvimento da Lavoura Familiar
de Mamona, com geração de emprego para seis
mil famílias de pequenos produtores nas regiões
oeste e nordeste, num total de 190 municípios zoneados
para o cultivo.
O
projeto do governo do Estado tem como meta distribuir
sementes geneticamente melhoradas, transferir tecnologia,
com acompanhamento técnico, e oferecer sistemas
de produção e crédito. O economista
Alberto Gordilho aponta três pólos principais
para a produção de biodiesel: Ilhéus,
com porto naval, aeroporto, comunicações,
acervo técnico da Ceplac, universidade, distrito
industrial e a Escola Emarc, e mais Irecê (produção
de biodiesel de mamona) e Barra (processamento de soja
e mamona).
Segundo
o presidente da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrário
(EBDA), Joaquim Santana, estudos divulgados pelo National
Biodiesel Board (NBB), órgão responsável
pelo biodiesel no EUA, o Brasil pode liderar a produção
mundial, promovendo a substituição de 60%
da demanda mundial de petróleo. Esse dado coloca
o Estado em situação privilegiada, tendo
em vista as amplas possibilidades de cultivo das principais
fontes de matéria-prima para a produção
do biocombustível, entre elas a mamona e o dendê.
O
consumo mundial biocombustível é crescente,
já em escala comercial, como alternativa renovável
para substituir o diesel de petróleo e objetivo
de reduzir a emissão de poluentes que danificam
a camada de ozônio e produzem o aquecimento global
do planeta (efeito estufa). Em 2002, os Estados Unidos
consumiram 15 milhões de galões e em 2003
o número pulou para 25 milhões. A União
Européia produziu, em 2003, 1,4 milhão de
tonelada, 35% a mais que em 2002. A meta até 2005
é consumir 2% de combustíveis renováveis,
pulando para 5,75% em 2010.
FONTE:
http://www.atarde.com.br/materia.php3?mes=11&ano=2004&id_subcanal=23&id_materia=4659