Espécie recém-descoberta corre risco de extinção
Leguminosa endêmica das florestas paranaenses levou 15 anos para ser reconhecida cientificamente


A família das leguminosas recebeu em 2004 o reconhecimento internacional de mais uma espécie, batizada Exostyles godoyensis Soares-Silva & Mansano. A descoberta, feita pela bióloga e taxonomista Lúcia Helena Soares e Silva, da Universidade de Brasília (UnB), aconteceu em 1989, no Parque Estadual Mata dos Godoy, em Londrina (PR), e teve de esperar quinze anos pela confirmação científica de que era realmente inédita.

Na época, uma amostra foi enviada a um especialista na família das leguminosas que, devido a uma série de problemas, não pôde analisá-la. Isto foi finalmente feito este ano pela pesquisadora, em parceria com Vidal Mansano, pesquisador do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Após fazerem um levantamento minucioso em herbários de diversos outros estados para identificar se a planta não havia sido descrita anteriormente, os dois cientistas estudaram e descreveram suas características e definiram a nova espécie.

“A primeira amostra foi encontrada quando eu ainda realizava as pesquisas para o mestrado, mas só depois de ter terminado o doutorado e me tornado uma taxonomista pude concluir o trabalho”, conta Lúcia Helena. A pesquisadora atribui a demora à complexidade do procedimento: além de uma descrição detalhada da morfologia e do hábitat da espécie, é preciso fazer uma breve descrição em latim e submeter os resultados a uma publicação científica de grande circulação – no caso, o Botanical Journal of the Linnean Society, de Londres.

A espécie, endêmica do Paraná, é encontrada somente nos municípios de Londrina e Conselheiro Mayrink, onde ainda existem os poucos fragmentos de floresta de planalto remanescentes no país. Parentes do feijão e da ervilha, as árvores da nova espécie possuem frutos comestíveis e chegam a 20 metros de altura. Mesmo em área de preservação ambiental, porém, a Exostyles godoyensis está ameaçada, porque existem poucos indivíduos adultos e não há, até agora, nenhum plano para a preservação ou replantio da espécie.

O exemplar original encontrado por Lúcia Helena está agora no herbário do Departamento de Botânica da UnB e servirá em breve de base para outras pesquisas, que poderão descobrir, por exemplo, o potencial medicinal da planta e formas de melhor aproveitamento de seus frutos.

A pesquisadora foi responsável também pela descoberta de outras duas espécies: ambas são da família das mirtáceas, na qual Lúcia Helena é especialista, e foram encontradas no Paraná (Myrcia rostrata f. flexuosa Soares-Silva e Eugenia myrciariifolia Soares-Silva & Sobral).

Para Lúcia Helena, as descobertas e o reconhecimento internacional são a maior realização de um taxonomista. “Esses achados alertam cientistas e autoridades quanto ao perigo de muitas espécies entrarem em extinção antes mesmo de serem reconhecidas cientificamente", explica. "Eles podem ajudar no desenvolvimento de futuros projetos de preservação ambiental.”

Isabel Levy
Ciência Hoje On-line

FONTE:
http://cienciahoje.uol.com.br/view/2299


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