Agência
FAPESP - A lista é insuspeita. Desde maio de 2004,
os 151 países que aceitaram a Convenção
de Estocolmo precisam desenvolver medidas efetivas para
banir de seus cotidianos 12 dos chamados produtos orgânicos
persistentes (POPs).
São nove pesticidas: aldrina, clordano, DDT, dieldrina,
endrina, heptacloro, hexaclorobenzeno, mirex e toxafeno.
Dois produtos químicos industriais – PCB (bifenilpoliclorado)
e hexaclorobenzeno – e subprodutos não deliberados,
como as dioxinas e os furanos. Todas essas substâncias,
de forma comprovada por vários estudos médicos,
podem causar sérios distúrbios de saúde
em seres humanos e até a morte.
Para avaliar o que já foi feito até agora
– e quais serão as estratégias futuras para
que os objetivos da convenção sejam cumpridos
–, 800 representantes de governos e de ONGs se reunirão
em Punta Del Leste, no Uruguai, entre os dias 2 e 6 de
maio. Na pauta também estará a possível
indicação de novos produtos que deverão
ser banidos nos próximos anos. Não existe
um prazo definido para que todos os produtos sejam definitivamente
barrados.
Segundo a geógrafa Luciana Ziglio, pós-graduanda
do Departamento de Geografia da Universidade de São
Paulo, quando a convenção entrou em vigor
baniu do mercado oito pesticidas, dos nove que fazem parte
da lista oficial.
Conforme atesta a pesquisadora no artigo Segurança
química no Brasil: as convenções
de Roterdã e Estocolmo, publicado na revista Estudos
Geográficos, apenas os DDT e os PCBs terão
uma eliminação gradual. No caso do primeiro,
o uso será permitido apenas para o combate aos
vetores transmissores da malária.
No texto, a pesquisadora é categórica em
afirmar que, apesar do avanço obtido com a entrada
em vigor da Convenção de Estocolmo, os países
que assinaram o acordo, como é o caso do Brasil
– ainda falta a ratificação brasileira à
convenção –, precisam aumentar suas ações
internas nesse campo.
“No caso nacional, vimos que a segurança química,
apesar dos esforços do governo federal, ainda é
incipiente. A gestão pública dos riscos
é realizada de forma desorganizada e as informações
a respeito do tema ainda são muito vagas e desencontradas”,
disse Luciana.
A lista das 12 substâncias mais tóxicas não
foi feita apenas por causa do impacto que elas têm
sobre a saúde humana. A questão ambiental
também foi levada em consideração.
Todas as substâncias que fazem parte da convenção
permanecem décadas no ambiente antes de serem degradadas.
É por isso que os desafios que serão reafirmados
no Uruguai ganham ainda mais importância. O que
se discute é se a saúde ambiental e humana
do planeta terá algumas décadas a mais para
se recuperar ou não.
FONTE:
http://www.agencia.fapesp.br/boletim_dentro.php?data[id_materia_boletim]=3630