Embrapa Roraima faz diagnóstico das doenças da bananeira no Estado


O cultivo da banana é uma das principais fontes de renda para pequenos e médios produtores no estado de Roraima. Os principais plantios estão localizados em região de mata no sul do estado que apresentam condições favoráveis ao desenvolvimento de doenças.

Em 1998, quando foi constatada a Sigatoka negra em plantios de Caroebe, houve uma substituição da maioria dos bananais por variedades resistentes, como a Prata Zulu, Fhia 18, Pacovan e Thap Maeo. Desde então, nenhum levantamento de doenças foi feito para verificar o estado fitossanitário dos bananais de Roraima.

Assim, com o objetivo de fazer o diagnóstico das doenças da bananeira nos plantios de Roraima os pesquisadores da Embrapa Roraima, Kátia de Lima Nechet, Bernardo de Almeida Halfeld Vieira e Paulo Roberto Valle da Silva Pereira fizeram visitas em 25 áreas produtoras de banana distribuídas nos municípios de Cantá, Iracema, Mucajaí, São João da Baliza, Caroebe, Rorainópolis, Boa Vista, Amajari e Pacaraima.

Em todas as áreas visitadas os pesquisadores verificaram as condições de cultivo e coletaram material de banana infectado para análise no laboratório de fitossanidade da Embrapa Roraima. As doenças identificadas foram Sigatoka negra, Sigatoka amarela, mal do Panamá, mancha de Cordana, mancha de Deightoniella e mancha de Chloridium.Todas estas doenças são causadas por fungos. Dentre essas doenças, a Sigatoka negra é o principal problema e foi diagnosticada em 13 plantios, mas restritos aos municípios de Caroebe, São João da Baliza, Rorainópolis e Mucajaí. Os sintomas iniciais são estrias de coloração marrom observados na face inferior da folha que evoluem para estrias negras. Várias estrias se juntam deixando a folha preta.

A Sigatoka negra é a doença mais destrutiva da banana chegando a causar perda total de produção. Entretanto, verificou-se que muitos produtores ainda preferem manter o cultivo da variedade Prata que é suscetível a doença, mas valorizada comercialmente no mercado. Outra característica observada foi a manutenção nas áreas de plantio dos bananais antigos dizimados pela Sigatoka negra. Assim o fungo ainda se mantém nas áreas de plantio, o que preocupa, pois o patógeno pode se disseminar rapidamente para municípios onde ainda não foi constatada a doença. Outra doença importante verificada foi a Sigatoka amarela.

Os sintomas iniciais são estrias amarelo-claras na face superior da folha, com presença de halo amarelo, que evoluem para manchas alongadas com centro deprimido de tecido seco e cor cinza. Esta doença foi detectada em pelo menos uma área nos municípios visitados. Na maioria destes plantios a Sigatoka amarela foi detectada isoladamente. Em apenas três áreas visitadas foi constatada a ocorrência simultânea da Sigatoka amarela e Sigatoka negra. Isto ocorre com baixa frequência, pois a população do fungo que causa a Sigatoka negra sobrepõe a população do fungo que causa a Sigatoka amarela. Por isso é comum em áreas onde a Sigatoka negra se instala o desaparecimento da Sigatoka amarela ao longo dos anos.

Em apenas duas áreas visitadas, uma no município de Caroebe e outra em Rorainópolis, os pesquisadores detectaram o mal do Panamá. Esta doença é causada por um fungo de solo e foi responsável pela mudança no hábito de consumo no mundo, uma vez que a cultivar Maçã que é altamente suscetível ao fungo, foi substituída por variedades resistentes e tornou-se cada vez mais escassa no mercado. As plantas com a doença apresentam um amarelecimento das folhas mais velhas para as mais novas. Posteriormente, murcham, secam e quebram junto ao pseudocaule. Isto dá a planta a aparência de um guarda-chuva fechado.

Quando se corta transversalmente o pseudocaule observa-se uma descoloração pardo-avermelhada que é provocada pela presença do patógeno nos vasos da planta. Interessante que os pesquisadores neste levantamento observaram áreas de plantio de banana Maçã em Roraima livres da doença. Entretanto, o fato dos produtores terem dificuldade em identificar a doença, prejudica a erradicação dos focos e aumentam as chances de disseminação.

As demais doenças diagnosticadas, mancha de Cordana, mancha de Deightoniella e mancha de Chloridium, são consideradas doenças secundárias da bananeira. Podem ser encontradas tanto isoladamente como em associação com as manchas de Sigatoka. A mancha de Deightoniella chamou a atenção dos pesquisadores por causar até 30 % de queima foliar.

Os sintomas iniciais são pequenas manchas escuras próximas a borda das folhas. Posteriormente, ocorre uma queima uniforme que se expande da borda para o centro da folha com um halo amarelo. Este fungo também penetra por ferimentos principalmente em folhas rasgadas pelo vento. O que é uma situação comum em alguns plantios de banana em Roraima.

Com este levantamento foram identificadas e mapeadas as principais doenças da bananeira no estado de Roraima e estas informações poderão auxiliar produtores e técnicos da extensão na adoção de medidas adequadas de controle das doenças da bananeira em Roraima.

Kátia de Lima Nechet
Pesquisadora Embrapa Roraima
katia@cpafrr.embrapa.br


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