Pesquisador extrai óleo do Chanel n.º 5 da erva-cidreira


Pesquisa ainda prossegue, mas a expectativa é que a planta possa substituir o ameaçado pau-rosa na fabricação de perfumes

Claudia Ferraz escreve para ‘O Estado de SP’:

O famoso perfume francês Chanel nº 5 pode estar no quintal da casa da avó e isso pode ajudar a salvar o pau-rosa, árvore amazônica ameaçada de extinção.

É que pesquisadores descobriram que o óleo linalol extraído da árvore para fazer o perfume existe em grande concentração na erva-cidreira, uma das plantas mais comuns do país.

O engenheiro agrônomo Hermes Jannuzzi, que faz seu mestrado em Ciências Agrárias na Universidade de Brasília (Unb), analisou 49 amostras de Lippia alba, nome científico da erva-cidreira de arbusto, e descobriu teores de 59% a 83% de linalol. Na árvore, a substância representa 80% da composição do óleo.

As plantas vieram de 11 Estados, graças à mãozinha da família e dos amigos de Jannuzzi. "Pedi para os amigos, mas acabei apelando para as mães, tias e avós", brinca.

"Esta é uma planta rústica, com baixo índice de praga e pode ser plantada no Brasil todo. É uma alternativa para a indústria de cosméticos para a substituição da extração de óleo do pau-rosa", espera Jannuzzi.

É claro que isso não significa que a erva-cidreira de qualquer quintal tem vocação para perfume. Conforme o estudo, as amostras coletadas apresentaram composição química bastante diferenciada, o que é explicado por fatores genéticos e ambientais.

O professor da Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAV) da Unb e orientador de Jannuzzi, Jean Kleber Mattos, diz que nas plantas havia 17 variações aromáticas.

"Às vezes, além de 83% de linalol, há uma ou outra substância que não fica como o óleo do pau-rosa. A próxima etapa é verificar as possibilidades de substituição para chegar o mais perto do óleo da árvore e garantir sua sobrevivência."

Os passos seguintes incluem teste de adubação, melhor época de plantio e período de floração. "Assim, ao identificar essas variações, podemos aumentar a porcentagem de folhas e possivelmente de óleo", diz Jannuzzi.

"Um dos problemas é que nunca se sabe qual substância há em cada planta. A partir da identificação podemos ceder as matrizes para produtores, o que pode tornar a erva-cidreira comercialmente viável para o setor de perfumaria."

Mattos espera que a erva-cidreira se transforme realmente em uma alternativa rentável aos agricultores. Hoje, a maioria dos óleos essenciais para perfumaria e cosmética é importada, mas o plantio da L. alba é fácil e rápido.

Extração

Os pesquisadores colheram e secaram as folhas em estufa, para delas extrair o óleo essencial, conseguido a partir de um tipo de destilação. As plantas campeãs da substância aromática vieram da estação de Brasília, com 83%, e de São Gonçalo do Rio Abaixo, em Minas, com 72%.

O pau-rosa, que antes se distribuía por toda a floresta, hoje se concentra apenas em alguns municípios do Amazonas. Segundo o Ibama, a árvore está na lista de extinção desde 1993. O trabalho será apresentado no Simpósio Brasileiro de Óleos Essenciais, em novembro, em SP.

Fonte:
http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=30982


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