O
decreto que regulamenta a rotulagem de alimentos geneticamente
modificados no Brasil deve passar por uma reformulação.
Esta é a avaliação da pesquisadora
da Embrapa, Marília Nutti, em palestra no IV Congresso
de Biossegurança, realizado em Porto Alegre (RS).
O evento terminou nesta quinta-feira. A questão
para uma possível mudança no decreto de
rotulagem se deve às falhas existentes nos termos
de exigência.
O ponto duvidoso se refere ao parágrafo que determina
uma rotulagem diferente para a safra de soja de 2004,
em que no rótulo constaria um alerta de “pode conter
transgênico”. Como essa distinção
requer uma rastreabilidade, a pesquisadora afirma que
a identificação da safra é impossível
atualmente no Brasil. Nesse caso, segundo Marília,
pode ainda levar o país a ser acionado na OMC por
ser o único membro do Codex, órgão
da FAO, que conta com essa distinção nas
suas normas.
Na palestra, a pesquisadora explicou os processos de rotulagem
a nível mundial, e especificamente os mecanismos
adotados pelo Brasil. No país está em vigor
o decreto nº 4680, de 24 de abril de 2004, assegurado
pela lei nº 8.078 de 11 de setembro de 1990, que
dispõe sobre o direito de acesso à informação
com norma aplicada a alimentos e ração produzida
de OGM. O decreto atual estabelece o limite de 1% de transgenia
nos alimentos embalados e in natura. Exige também
a rotulagem de alimentos e ingredientes produzidos a partir
de animais alimentados com ração transgênica,
sendo o Brasil o único a exigir a rotulagem desses
alimentos através de um símbolo em “T” para
identificar o produto.
Para
esclarecer as normas de rotulagem, a Casa Civil publicou
um regulamento técnico, em que aborda as regras
para o processo de rotulagem dos produtos. Os produtos
transgênicos embalados precisam trazer no rótulo
o nome do produto mais a designação transgênico
ou entre os ingredientes. Nos alimentos a granel é
exigido um cartaz com as mesmas informações
que constam nas embalagens. No regulamento não
há menção sobre a identificação
dos alimentos produzidos de animais alimentados com ração
GM. O Brasil não possui alimentos com esses rótulos
porque todos os produtos testados até hoje apresentaram
índice inferior a 1%.
A
experiência na Argentina para liberação
de alimentos transgênicos foi apresentada em palestra
pela especialista em alimentação de vacas
leiteiras, do Instituto Nacional de Tecnologia Agropecuária
(Inta), Miriam Gallardo, que destacou a segurança
do processo implantado pelo seu país na aprovação
para comercialização de OGMs. Foram criados
órgãos de pesquisa e reguladores que acompanham
os procedimentos para liberar o uso dos transgênicos.
Sandra
Vargas
Fonte:
http://www.agrolink.com.br/noticias/pg_detalhe_noticia.asp?Cod=32293