A
8ª Conferência das Partes da Convenção
da Diversidade Biológica (COP8) chega ao final
nesta sexta-feira em Curitiba tendo conseguido alguns
feitos relevantes para biodiversidade mundial. Entre eles,
está a inclusão de temas relativamente novos
para a agenda ambiental mundial e que deverão nortear
políticas públicas e iniciativas científicas
nos países que integram a convenção,
188 no total.
Os novos temas vieram pelas mãos de governos, ONGs
e cientistas engajados na luta pela diminuição
da acelerada perda de biodiversidade que o mundo enfrenta,
a mais grave desde as últimas cinco décadas,
conforme relatório divulgado pelas Nações
Unidas durante o evento.
Um dos temas que entram na pauta internacional com mais
força a partir de agora foi trazido pelo Brasil
com sua iniciativa de mapear as espécies de animais
e plantas exóticas invasoras. De acordo com a ONU,
tais espécies dão prejuízos de US$
1,4 trilhão, sendo a primeira causa da redução
de biodiversidade em ilhas e a segunda nas demais regiões
do mundo. Tais espécies devoram 5% da economia
global, conforme os especialistas. Entre os invasores
estão principalmente arbustos, aves, peixes, árvores,
répteis, anfíbios e vírus exóticos.
Poucos são os países que desenvolvem programas
de controle dessas pragas me larga escala.
"O mundo é vulnerável às espécies
invasoras. Não podemos observar esse problema de
forma isolada", disse o africano Dennis Rangi, um
dos diretores do Programa Global de Espécies Invasoras
(Gisp, do inglês Global Invasive Species Programme),
ao qual o Brasil acaba de se unir. Outros países
que enfrentam o problema deverão seguir os passos
brasileiros no combate aos organismos invasores. "Cada
país deve entender o problema, realizar estudos
nacionais, organizar especialistas e criar sistemas de
prevenção e de controle", afirma a
especialista Sílvia Ziller, uma das pioneiras a
discutir o assunto na América Latina e membro do
Instituto Horus.
O assunto das árvores transgênicas causou
assombro entre muitos participantes. A alemã Ricarda
Steinbrecher, da Federação de Cientistas
da Alemanha e co-diretora da organização
não-governamental EcoNexus, assustou-se ao saber
que no Brasil já existem experimentos de laboratório
com árvores modificadas geneticamente. Atenta ao
problema que também afeta outros países,
a cientista lembra que o pólen dessas árvores
pode causar alergia em humanos, apontando para o grave
perigo ambiental que elas representam.
Os estudiosos recomendaram que a Convenção
das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica
(CDB) realize uma profunda avaliação sobre
as plantações de árvores geneticamente
modificadas para se posicionar sobre essa tecnologia.
O assunto deverá ser analisado pelo órgão
científico e tecnológico da convenção,
o SBSTTA (do inglês Subsidiary Body on Scientific,
Technical and Technological Advice). As recomendações
do grupo intergovernamental serão encaminhadas
à COP9, em 2008, para que alguma posição
sobre esses cultivos seja tomada. O alerta valeu para
varais nações que têm lugar na CDB.
Mas, foram as sementes Terminator criadas a partir das
Tecnologias Genéticas de Restrição
de Uso - GURTS que roubaram a cena, graças à
atuação da ong ETC Group, do Canadá.
Usando o ícone da morte como imagem-símbolo
da campanha, os ativistas da organização
emplacaram o assunto na mídia nacional e estrangeira
e, de quebra, conseguiram forçar um posicionamento
dos delegados dos países-membros da CDB que adotarão
uma moratória para que a tecnologia possa ser autorizada.
As sementes Terminator são estéreis, não
geram outras plantas, fechando o ciclo de renascimento
que caracteriza a vida.
Jaime Gesisky
Assessoria de Imprensa da COP 8/MOP 3
FONTE:
http://www.ibama.gov.br/novo_ibama/paginas/materia.php?id_arq=3777