Ipê amarelo
Por: Rosmari A. M. Lazarini
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Ipê Amarelo é o nome popular de algumas espécies de árvores da região Sul e Sudeste do Brasil, pertencentes à família botânica Bignoniaceae, gênero Tabebuia, que também compreende espécies com flores de cor branca, roxa, rosa ou lilás. Em outras regiões brasileiras, os ipês recebem outras denominações.

O nome científico Tabebuia, de origem tupi-guarani, significa pau ou madeira que flutua. É denominada, pelos índios, de caxeta, árvore que nasce na zona litorânea do Brasil, cuja madeira íntegra (inatacável) resiste ao apodrecimento. O nome ipê, de origem Tupi, significa árvore de casca grossa.

Existem várias espécies de ipê amarelo, sendo as mais conhecidas: Tabebuia chrysotricha (Mart Ex DC.) Stand. e Tabebuia alba (Cham) Sandwith, ambas nativas do Brasil.

Tabebuia chrysotricha conhecida por pau-d’arco-amarelo, ipê-do-morro, ipê-tabaco, ipê-amarelo-cascudo, ipê-açu, aipe, ocorre do ES até SC, na Floresta Pluvial Atlântica. Seu nome científico (chrysotricha) é devido à presença de densos pêlos cor de ouro nos ramos novos.

Tabebuia alba conhecida por ipê-amarelo, aipê, ipê-amarelo de folha-branca, ipê-branco, ipê-dourado, ipê mamono, ipê mandioca, ipê ouro, ipê pardo, ipê da serra, ipê do cerrado, ipê vacariano, ipezeiro, pau darco amarelo, tapioca, ocorre nos estados do RJ, MG até RS.

Sendo uma espécie caducifólia, o período da queda das folhas coincide com a floração que se inicia no final do inverno. Quanto mais frio e seco for o inverno, maior será a intensidade da florada do ipê amarelo. As flores desta espécie atraem abelhas e pássaros, principalmente beija-flores que são importantes agentes polinizadores.

Pela beleza de suas flores e mesmo pelo pequeno porte, os ipês de flores amarelas são os mais apreciados e plantados, o que os torna mais adequados na arborização urbana. A coloração das flores produz belíssimo efeito tanto na copa da árvore como no chão das ruas, formando um tapete de flores contrastantes com o cinza do asfalto.

Devido à exuberância do florescimento dos ipês, dezenas de poesias, contos e sonetos foram produzidos por escritores e poetas. Citado na obra Macunaíma de Mário de Andrade e em obra de Castro Alves, o ipê é consagrado como símbolo de força e resistência.

Dotada de beleza inigualável, a floração do ipê foi traduzida em versos:

Ontem floriste como por encanto,
sintetizando toda a primavera;
mas tuas flores, frágeis entretanto,
tiveram o esplendor de uma quimera.
Como num sonho, ou num conto de fada,
se transformando em nívea cascata,
tuas florzinhas, em sutil balada,
caíam como se chovesse prata... (Sílvio Ricciardi)

O ipê foi motivo de inspiração até de políticos. Em 1961, Jânio Quadros, declarou o ipê-amarelo, conhecido cientificamente por Tabebuia vellosoi, como a Flor Nacional, por meio de um projeto aprovado pelo Poder Executivo.

Mais recentemente, em um discurso, o Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Roberto Rodrigues, fez uma apologia citando o ipê amarelo:

O ipê amarelo floresce em agosto. Isso é uma coisa emocionante. Eu tenho a oportunidade de andar pelo Brasil inteiro e agosto é um mês feio, um mês de vento, mês cinzento, de muito fogo, muita fumaça. É um mês triste, entre o frio e o quente, um mês indefinido. Pois é no mês de agosto que os ipês amarelos florescem com vigor, mostrando de certa forma um caminho para cada um de nós. Porque é no auge da seca, no auge da tristeza, no auge da bruma seca que o ipê amarelo vai buscar na profundeza do solo a suficiente energia para florescer fantasticamente, oferecendo à humanidade potes de ouro extraordinários, mostrando que é possível, mesmo na relação mais complicada, trazer o brilho e a alegria. Eu tenho certeza que aqui...

Confira a íntegra dos discursos
, clique aqui.

Bibliografia Consultada

CARVALHO, P.E.R. Espécies florestais brasileiras. Recomendações Silviculturais, potencialidades e uso da madeira. EMBRAPA-CNPF. Brasília. 1994. 640p.

LORENZI, H. Árvores brasileiras: manual de identificaç ão e cultivo de plantas arbóreas nativas do Brasil. Nova Odessa, SP: Plantarum, 1992. 351p.

RIZZINI, Carlos Toledo. Árvores e Madeiras Úteis do Brasil. Manual de Dendrologia Brasileira. São Paulo: Editora Edgard Gomide Blucher. 1971.

http://www.floresta.ufpr.br/~paisagem/plantas/ipes.htm (>acesso 05/09/04<)

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Bióloga e editora do site: www.floraefauna.com
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